domingo, 25 de janeiro de 2009

Todo Mundo Quer Ser Como Obama


Mas ninguém quer mudar

Tenho lido com certa atenção os comentários e escutado com frequência as ideias que diversas personalidades, sejam elas figuras públicas ou não, dão em relação a Obama, o novo presidente dos Estados Unidos da América. Na verdade, parece que em Obama o mundo encontrou o seu ponto de intercessão e quase todos afirmam que gostariam de ser como ele, ou que ele é o exemplo ideal a seguir.

Um outro analista que se identificou como sociólogo bem conhecido, acabou escrevendo três lições que retirou da postura de Obama e não teve vergonha de chamar os africanos de selvagens. Outro também analista, chegou a afirmar que os africanos não seriam capazes de aceitar Obama, chegando mesmo ao ponto de afirmar que o teríamos morto, se o fenómeno surgisse cá entre nós.

Outros ainda aparecem a puxar Obama para si, a se identificarem com ele, discutem se é negro ou misto, se é caneco ou mulato, se é cristão ou muçulmano. Alguns chegam a questionar porque é que só se pensa num Obama que tem pai africano e não num Obama que tem mãe branca, a americana que lhe deu a nacionalidade para chegar a presidência dos EUA.

Uma coisa é comum em todos: o elogio ao jovem Presidente, que passou a ser o primeiro afro-americano a ocupar a Casa Branca.

Gosto de ver e ouvir toda essa discussão, pessoalmente também admiro o Obama, entretanto, sem retirar o seu mérito e o dos anteriores presidentes norte americanos, sou incontornavelmente fascinado por Abraham Lincoln, o cara da nota dos cinco dólares, de quem li biografias diversas.

Tudo o que se fala sobre Obama, levanta em mim certos questionamentos, dos quais destaco o seguinte: já que todos nós vemos em Obama o modelo mais perfeito de integridade, de criatividade, de postura política, de fé, de família, de humildade, de inteligência e eloquência, de estratégia e integridade, de inclusão e diversidade, quanto é que nós estamos preparados para mudar aquilo que descobrimos em nós não ser o mais recomendado, a fim de que sejamos no mínimo como ele?

Temo que a letra da música de um destemido pensador não venha a ter a sua realização em nós: “everybody want to go to heaven but nobody want to die, everyone heading for the top but tell me how far is it from the bottom”.

Afinal de contas de onde vem o Obama? O que ele tem a mais que o resto da humanidade? E porque é que tantos contrários convergem em Obama? Será que ele caiu dos céus? Deve ser marciano? Ou foi inventado em uma central informática super sofisticada?

A resposta é uma e única: Obama é tão humano como todos nós. Sofre os mesmos dramas e as mesmas pressões que sofremos. Em determinados momentos da sua vida teve os mesmos sofrimentos que temos no dia a dia e como nós ele, em algum momento da sua vida frequentou uma religião e lavrou a sua fé.

Portanto, Obama não é um extra terrestre, Obama é um ser humano tão comum como todos nós, sendo que a única diferença que nos pode separar é a maneira como olhamos para o mundo e o interpretamos.

Ora vejamos, enquanto o régulo da cabeça do velho, que afirma ser um sociólogo da praça bem identificado, afirma nas suas três lições ao mundo que “acho que somos selvagens pelo local de nascimento, crescimento e vivência”, interpretando o mundo de uma forma muito pessimista, chegando a sugerir como um outro arquitecto que os africanos ou os negros são selvagens, Obama olha para o mundo com optimismo.

Enquanto um analista acredita que nós africanos seriamos capazes de rejeitar ou matar o fenómeno Obama se surgisse cá entre nós, ele mesmo, o Obama, olha para o ser humano como alguém que pode mudar, que pode aceitar o bem e rejeitar o mal, olha para a humanidade como aquela que pode ultrapassar os seus limites e considerar mais o que lhe une que o que lhe separa. Olha para o ser homem como aquele que merece mais um voto de confiança.

Enquanto um político que quer ser como Obama, ou vê Obama como seu irmão, é autoritário, apresenta sinais de enriquecimento rápido e duvidoso, não opta pela inclusão na sua proposta de governação nem apresenta uma estratégia de participação na distribuição da renda, Obama é alguém que ganhou o seu voto de confiança por pregar uma visão onde todos tem espaço independentemente da sua cor política ou sua condição social e económica.

Obama é um jovem que mesmo sendo rodeado por corporações gigantescas, teve a coragem de afirmar de viva voz que o mercado e o capitalismo precisam ser muito bem regulados para que não se transformem em máquinas destrutivas da dignidade humana.

Obama é aquele jovem que tendo saído da realidade mais aproximada a nossa, hoje no poder consegue afirmar que um país que não olha nem zela pelos seus fracos não pode sobreviver. Refere-se ele aqui dos aposentados, dos idosos, das mulheres, das crianças, dos desempregados, dos economicamente francos e outros. Pede ele aqui uma cuidadosa atenção às políticas tributarias que podem significar mau trato a dignidade dos cidadãos. Afirma ele que os serviços públicos precisam ser efectivos.

O que o discurso de Obama tem a mais do que aquilo que nós sempre sonhamos para a humanidade? Obama procurou no seu discurso ser mais ele do que um sonhador. Tocou nos problemas como eles são e reconheceu que só se pode chegar a solução quando todos os cidadãos da nação americana se unirem e trabalharem juntos, para tanto, Obama apresenta um Governo não de vencedores nem de perdedores, mas do povo americano.

Não é preciso ser marciano para ser como Obama, e não precisamos esconder em Obama a nossa cobardia, os nossos medos, as nossas desilusões bem assim a nossa incredulidade. Como ele mesmo afirma uma nova forma de ser é possível. O que quer dizer que a mudança que esperamos aconteça ao nosso redor deve partir de nós mesmos.

Quem ler os livros de Obama e aqueles escritos sobre ele por pessoas que assistiram o seu crescimento vão descobrir uma coisa verdadeira, Obama não procurou ele ser compreendido, não procurou mudar o mundo, não inventou uma roda, ele procurou compreender-se a si mesmo, porque só assim poderia compreender o mundo que o rodeia, procurou mudar-se a si mesmo, porque a mudança começa em nós e, na sua atitude, fez com que os outros acreditassem neles mesmo.

É difícil querer ser como Obama e não estar disposto a mudar. Não pode ser verdade o elogio a Obama enquanto apresentamos uma atitude arrogante para connosco mesmo e para com os nossos concidadãos. Não se pode pensar em ser como Obama se não conseguimos ser nós mesmos.

7 comentários:

guanazi disse...

Meu caro,

estava lendo atentamente o texto e, confesso que estava adorando até que cheguei á passagem em que afirmas que as mulheres sào seres fracos!!! espero amigo, que te retrates publicamente porque senão terás uma legião inteira de mulheres pronta a degolar-te e comandada por mim.

Custódio Duma disse...

Com certeza,
Tens razao, mas a ideia que queria deixar é que em muitas situacoes, precisamos olhar p a mulher com uma atencao especial.
Nao sao fracas, mas relegadas a segundo, terceiro ou quarto plano e aqui, politicas de equidade do genero merecem atencao.
nao é facil falar desse topico e eu reconheco mias fraquezas...
Optima semana para si...

Rui disse...

Antes de mais nada quero dar os meus parabens pelo optimo texto, partilho muito das ideias que exposeste aqui no teu texto.
Parabens

Custódio Duma disse...

Muito obrigado Rui,
Admira-me bastante a lucidez com que Obama é interpretado por muitos, esses muitos que nao conseguem seguir os seus passos!

Anónimo disse...

Pois então COMANDANTE GUANAZI está formado este grupo.
Ao Sr. Custódio
As mulheres podem tanto quanto os homens e mais, possuem o dom da vida, como mães. Por isso, zelar pela proteção das mulheres, desde jovens, é assegurar o futuro da própria humanidade e do planeta.
E mais, se os grandes líderes políticos e governamentais do mundo fossem mulheres,
com certeza não haveria os tantos horrores da guerra provocada por aqueles
que carecem da virtude da paz, um valor humano natural das mulheres, ex sua postagem do dia 09/01.
E não se esqueça do ditado: ATRÁS DE UM GRANDE HOMEM, HÁ SEMPRE UMA GRANDE MULHER.
2009 é o ano dos jovens e ano das mulheres.
Atrás do Sr. Obama, quem está??? Grande Michele.
Enfim, tenho muito mais para falar, exemplificar, mas já é o bastante.
Sr. Custódio reveja seus conceitos.
Sr. Guanazi : COMANDANTE
Sabedoria e força.

Custódio Duma disse...

Só posso concordar,
Se lerem bem, vão ver que não considero as mulheres seres fracos, mas que merecem atenção especial..
Penso também nas nossas mulheres cá em Africa e em Moçambique!
Bom dia

amosse macamo disse...

pois, todos querem ir ao ceu, porem, ninguem esta disposto a morrer....agora, como chegar la?
ha pouco, vi um lider que se autointitulava Obama de Mocambique...cairam-me lagrimas de tanto rir, verdade, 'e que num certo momento nao sabia se chorava ou ria me...black my story