sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Onde param os muçulmanos moçambicanos?

Espero que ninguém leve à mal este meu desabafo, mas não consigo ficar calado perante a incapacidade dos muçulmanos de Moçambique de reagir perante a morte dos centenas dos irmãos seus e nossos em Palestina.

Lembro que a comunidade muçulmana de Moçambique teve a vontade, tempo e determinação necessários para partir os vidros e bater nas portas do jornal “Savana”, por causa dos cartoons, ditos blasfémios. Tudo bem, a religião é sagrada.

Mas agora, quando em menos de duas semanas foram assassinados mais de 700 e foram feridos mais de 3.000 palestinianos, qual é a resposta dos mesmos “defensores da fé”? Eu não conheço nenhuma resposta pública. Nenhuma manifestação pacífica foi convocada, ninguém da comunidade islâmica mostrou a sua viva indignação perante agressão israelita contra a Palestina.

A titulo de exemplo: à partir de hoje, dia 09 de Janeiro, 2.000 restaurantes muçulmanos na Malásia vão deixar de vender a Coca – Cola, protestando desta maneira contra o aval concedido pelos EUA ao Israel na questão da Palestina. Não estou a dizer, que devemos de deixar de beber a Coca – Cola, estou a dizer que enquanto outros estão se manifestar pacificamente e até decisivamente (money talking), nós continuamos mudos e calados.

Vejam este extraordinário vídeo, em que uma jovem palestiniana magrinha, mas muito corajosa e determinada, consegue parar dois (!) soldados israelitas armados.

Ela não diz aos bandidos armados nada de extraordinário. Palavras simples, pouco elaborados: “Parem! Porque vocês fazem isso? Porque vocês disparam? Será que vocês não entendem que isso não se faz?”. Jovem apela para o senso comum do “homem armado”, isso se chama a resistência pacífica: apelo à parte humana do humano.

Porque eles a escutaram, porque pararam? Pode-se argumentar que aqui jogou o seu papel o “inglês americano” da jovem (ela estuda na Universidade de Michigan), mas olhando para a linguagem corporal dos soldados, é impossível não sentir que eles próprios entendem que fazem “algo de errado”. Que disparar contra os civis realmente não é a coisa mais honrosa para um exército regular. Que apesar do poder da força, o poder do direito não está do lado deles...
p.s.

A moça palestiniana se chama Huwaida Arraf (nasceu me 1976 na cidade de Detroit, estado de Michigan), co-fundadora da ONG International Solidarity Movement (ISM). Arraf é graduada nos estudos Arábicos e Judaicos e a Ciência Política da Universidade de Michigan.

Fonte:
http://www.juancole.com/2009/01/palestinian-girl-israeli-troops.html

4 comentários:

Reflectindo disse...

Boa pergunta esta. A RM anunciou uma manifestacão dos nossos muculmanos amanhã e considero isso ser uma boa iniciativa. Mas os mesmos muculmanos, são antes mocambicanos, são africanos, não são? O mesmo é ao governo mocambicano e africano que autorizou a manifestacão em apoio dos nossos irmãos, para mim não é porque eles são muculmanos, mas antes humanos. E, eu pergunto, onde andam quando os nossos irmaos africanos sofrem no Zimbabwe, Darfur? Porque as nossas autoridades autorizam umas manifestacões e desautorizam outras?

Estou ao lado dos Palestinos e até repudio aos que golpearam Hamas que estava no poder depois de uma vitória eleitoral.

guanazi disse...

Concordo convosco, mas não se esqueçam que não mais existe africanos , europeus, americanos etc, somos todos cidadãos do mundo e deveríamos nos comportar como tal. a mesma indignação que sinto pela situação calamitosa zimbabweana é a mesma que sinto pela de darfur palestina e outras regiões que vivem a mesma situação...

Reflectindo disse...

Sem dúvidas Guanazi, eu queria ir até aí mesmo, que somos cidadãos do mundo e deviamos agir como tal. Deviamos manifestar quando alguém mata gente em Tanzania, Quénia, EUA, Palestina, Afegnestão, Iraque, Zimbabwe, Darfur, seja onde for. Gente que não diz um A nem B quanto ao terror no Zimbabwe, aqui tão perto, é cobarde. Gente que desautoriza marcha pacífica em solidariedade ao povo do Zimbabwe, mas autoriza uma outra, é cobarde.

Espero que depois desta marcha de hoje, nos próximos dias seja uma em solidariedade ao Povo do zimbabwe, em apoio à activista Jestina Mukoko e os demais.

Custódio Duma disse...

Tentei ir participar da marcha, mas quando por la passei por volta das 15 quase que nao havia sinal de macrcha, dei uma voltinha e me perdi.
Mas como moro proximo a praca da independencia fiquei uns tempos na varanda a ver os marchantes a chegar, tambem nao vi nada.
Ou fiquei atrapalhado demais ou a marcha nao aconteceu ou aconteceu em outro local.
De todas as maneiras, varios muculmanos protestaram no mundo inteiro durante o final de semana.
temos visto jovens palestinos e israelitas juntos, musicos e outros a fazerem diferenca.
Eu mesmo assinei uma carta de protesto.
O silencio dos bons sempre preocupara!!!

Por um mundo livre