Domingo, 25 de Dezembro de 2011

Aquilo que eu não ouvi no informe do “Estado da Nação”

Com a devida vénia publicamos o texto de Celso Celestino Manhiça, o qual serviu como mote de debate no grupo do facebook Todos por UM Moçambique (Diálogos sobre Moçambique). Refira-se que o texto foi escrito dentro de um "chapa 100", no período em que o autor regressava da única forma possível ao coração do seu bairro. 

por: Celso C. Cossa 

1. A nossa economia tem crescido bastante, embora isso não se faça sentir no bolso do cidadão comum. Embora continuemos a comer mal. Dormir mal. Com transportes públicos deficientes. Saneamento precário. Portanto, verifica-se um crescimento económico divorciado do desenvolvimento humano. Não é isso que o moçambicano quer. Nem é para isso que temos nos concentrado as nossas forças, nas diversas frentes que temos desencadeado para acabar com a pobreza absoluta. 

2. O financiamento externo tem crescido muito, o que é bom para o país, especialmente para nós que ganhamos sempre algum em cada nova empresa que é instituída. Isso ajudará muitos dos "nossos" a engrandecerem os seus impérios de negócios (esses impérios que foram construídos em nome do dinheiro do povo). 

3. O nosso país tem um potencial enorme no que diz respeito aos recursos naturais. Isso é bastante bom. Por isso não devemos parar com as exportações ilegais. Para isso temos os nossos irmãos chineses para uma ajudinha. 

4. Não podemos acabar com a criminalidade porque alguns criminosos estão entre nós. São nossos amigos. Nossos compatriotas. Nossos irmãos. Filhos. Ajudam-nos com alguns favores. Por exemplo, PARA CASOS COMO DESSES QUE FALAM MAIS DO QUE DEVIAM. Podemos precisar de uma mãozinha. 

5. Garantimos a expansão do ensino. Temos salas numerosas. Professores "Turbos". Falta de apetrechamento nas salas de aulas. Bibliotecas vazias. Campus universitários fora das faculdades. E todo o resto que todos nós já bem sabemos. No final das contas são estes alunos e estudantes que temos: alunos que mal sabem escrever os seus próprios nomes, estudantes que mal escrevem uma carta de pedido de emprego e universitários que mal sabem se expressar, mal sabem formular um discurso coerente. 

6. Há algo a ganhar com uma educação deficiente como a nossa. Somente com pessoas formatadas, pessoas que não pensam, cegas, obedientes, inertes, ignorantes é que é possível continuarmos com o nosso propósito: enriquecer, enriquecer, enriquecer. enquanto os outros, a maioria, os verdadeiros donos deste país, o POVO empobrece e empobrece e empobrece. Não podemos ser todos ricos. Que graça isso pode ter? 

7. Os nossos filhos devem continuar a estudarem no estrangeiros. Somente assim é que podemos garantir a continuidade do poder. Um dia estaremos velhos demais para continuarmos. Alguém deve nos substituir. 

8. Vamos continuar a patrocinar o entretenimento. Esta música descartável. Estes cantores medíocres. Estas festas descabidas. Estas televisões. Só assim é que podemos manter as mentes dos nossos jovens ocupadas. Para que pensem que está tudo bem, porque as suas mentes estão extasiadas. Jovem que pensa não é bom para aqueles que sabem que têm muitas falhas de governação. Temos que tomar cuidado! 

9. Enquanto os jovens se atem às diversões, ao entretenimento, a toda essa falta de ocupação e irresponsabilidades nos devemos pensar em mais um jeito de justificarmos a saída de dinheiro dos cofres do estado. 

10. Estes Azagaia, Edgar Barroso (Apóstolo da Desgraça), Iveth, C. C. Cossa, Ismael Mussa, Mia Couto (os mortos também: Pedro Langa, Siba Siba Macuacua, Carlos Cardoso.) e tantos outros são venenosos não acreditem no que eles falam, no que eles dizem. São pessoas que querem impor-se a nossa verdade, a estória e a história que temos contado. 

11. Continuaremos a calar a boca dos que falam demasiadamente. Avolumaremos as suas cotas bancárias. Iremos pôr à sua disposição cargos de chefia. Ou então o ultimo recurso: providenciar o eterno silêncio. 

12. Não podemos acabar com a corrupção. Existirá sempre uma ocasião em que precisaremos de pular a cerca. Arquitecto que desenha e pedreiro que construi uma cadeia sem que atente a possibilidade de um dia lá estar preso é totalmente desprovido do sentido visionário. Nós somos visionários! 

13. O Branqueamento de capitais, as negociatas, as falcatruas, o tráfico de drogas, e tantas outras coisas que muitos andam aí a falar que nós fazemos só nos deixam mais fortes, com os pés mais assentes na terra. Por que razão acabar com ele? Porque temos de parar com isso? Se pararemos com isso aí é que as coisas se estragam mesmo - seremos desmontados, destituídos, perdermos o trono. 

14. Temos que continuar a lutar contra a POBREZA ABSOLUTA. Mas atenção: não façam confusão. Há aqui duas "pobrezas absolutas". Enquanto para uns a "Pobreza a absoluta" é viver a baixo de um dólar por dia, sem uma habitação condigna, sem água, sem luz, sem acesso à educação, à saúde, para outros a "Pobreza absoluta" é andar em altos carros, últimos gritos (aqueles que ate os que os fabricam não conseguem ter com a facilidade com que muitos aqui no nosso país conseguem), viver em casas assustadoras, terem contas obesas. 

15. A lambibotice, o "engraxa sapato", o "falar para agradar o poder" devem continuar. Só assim os bolsos de "alguns" continuaram a engordar. Isso é uma garantia. É uma pena que existam pessoas que preferem "chutar latas" nas nossas ruas em vez desenvolverem essa capacidade de ganhar dinheiro facilmente. 

16. O acesso ao emprego, usando o critério do "apelido", as "costas quentes" deve continuar. Isso constitui o enraizamento do nosso poder sobre os demais. Não podemos nos misturar, sob pena de seremos descobertos e, assim, comprometermos os nossos propósitos para as gerações futuras. Continuarmos a governar. 

17. Não devemos admitir que um sei lá das quantas nos queira governar. Quem é ele? Combateu aonde? Quantas balas ele disparou? Mal conhece as matas deste país e agora quer nos governar. Isso não! 

18. Não tenham medo daqueles que são contrários, opositores às conquistas que até agora conseguimos. É sempre assim: "eles" sempre têm o que falar, mas depois calam-se. E continuam as suas vidas como se nada tivesse acontecido. Temos vários exemplos disso. Recuem um pouco o tempo. Há muito que podem encontrar. Muito! 

19. Como podem ver, o ESTADO DA NAÇÃO é bom. Para quem? Para nós que temos todas as plataformas montadas para perpetuarmos o nosso poder. Controlamos tudo. A educação. Os órgãos sociais. A economia. As leis. Em fim o POVO. 

20. O poder só existe quando há pessoas nas quais podemos submeter tal poder. É por isso que POVO deve continuar POVO. E nós aquilo que sempre fomos, desde que libertamos este país. 

Tudo isto e mais alguma coisa o nosso Chefe de Estado infelizmente não falou no INFORME DO ESTADO DA NAÇÃO. 

Fonte:

Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

Nova onda dos assaltos em Maputo


A Segurança Empresarial alerta que assaltos a veículos em movimento estão ocorrendo em Maputo, especificamente na região da Av. Marginal. A atenção deve ser redobrada nesta região, porém a prática pode se estender à outras localidades da cidade.
Naquele trajecto e principalmente no trecho entre o Hotel Southern Sun e o Clube Naval, os assaltantes aproveitam-se da falta de policiamento e iluminação da região para subtrair a força, bens que consideram valiosos.
A abordagem dos marginais chama atenção pela ousadia e violência, já que ultrapassam o veículo da vítima em alta velocidade e com uma manobra perigosa bloqueiam sua passagem. Imediatamente desembarcam com as armas em punho anunciando o assalto.
Para estas situações orientamos a seguir práticas preventivas de segurança, tais como:
- Dirigir com os vidros fechados, usando o sistema interno de ventilação. Use o cinto de segurança e mantenha todas as portas trancadas. Desta forma estará preparado para uma paragem inesperada, provocada por um obstáculo criado para fazê-lo parar, por arremesso de projéctil contra o veículo, ou até mesmo pelo veículo dos assaltantes;
- Evite o uso ostensivo de jóias quando estiver dirigindo e, quando o fizer, mantenha-se permanentemente em alerta;
- Não pare para auxiliar outros motoristas em locais sem movimento e ou horas avançadas. No caso de lhe parecer pessoa acidentada, avise a Polícia imediatamente;
- Se perceber que está a ser seguido por outro veículo, procure agir com naturalidade e dirija-se para as vias de grande movimento onde poderá localizar uma viatura policial e pedir ajuda;
- Caso seja abordado, mantenha a calma, avise antes de tomar qualquer acção e faça pequenos gestos próximos ao corpo se necessário. Saiba que muitas vezes os assaltantes estão sob o efeito de drogas e nestas condições não ouvem muito bem.
Lembre-se que uma forma de prudência é antecipar-se ao perigo, prevenindo-se.

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

O Palhaço Dançarino que Queria ser Herói

Era uma vez, um palhaço dançarino que vivia na Cidade Capital das Acácias. Tão dançarino ele era que não sabia dançar e, por vergonha fingia que era herói. Tantas histórias inventou até que num ramo feminino, acabou andado de carro dos deputados.
Muito contestados eram os tais carros parlamentares que comprados numa época em que se pregava a austeridade, ninguém parecia escutar. Sabia o palhaço que essa austeridade era só para o Zé-povinho que de política nada entende.
Era bocudo o tal palhaço, tão mal falava que chegava a ofender os seus próprios pais e sua mulher que aos poucos também foi perdendo os miolos. Afinal, de palhaçada não se vive.
Um dia, o palhaço dançarino percebeu que o seu futuro como dançarino andava comprometido porque não sabia dançar, decidiu então armar-se em palhaço empresário que vende direito. Tão insignificantes eram os seus rendimentos que na verdade nunca melhorou a ponto de mudar de vida.
Percebeu então, o palhaço dançarino que a sua terra natal podia ser um bom produto para vender. Mas a terra, só por mentira, no País das Acácias, pertence a todos e a ninguém pode ser vendida. Assim, decidiu colher algumas folhas de árvores secas e para si cozeu roupas parecidas às dos macacos selvagens que só pensam na comida, no sexo e no descanso. Afinal, o dançarino palhaço, era um animal selvagem.
Quando o País das Acácias abre a época das palhaçadas democráticas, o palhaço dançarino que queria ser herói vem com as suas: ou porque é mais palhaço que todos, ou porque tem sangue real, ou porque cultiva a sua comida de madrugada ou ainda porque sabe tudo e mais alguma coisa. A única coisa que parece não saber é que ele é somente um palhaço.
O palhaço dançarino que queria ser herói atinge o seu orgasmo na época das palhaçadas democráticas. Perde a cabeça, abre as pernas, rasga a boca e lambe todo o tipo de sujidade. Suas palhaçadas chegam a ser ridículas quando começa a irritar àqueles que ele queria escovar. De repente está sozinho, pescando na rocha.
Um palhaço tem aquela cara ridícula, aquela fala nojenta e aqueles olhos mal direccionados. Nada de errado. Mas tem também as calças furadas na zona traseira, deve até tomar no buraco, tem dentes sujos e bolsos vazios. Nada de errado. O errado mesmo é ele se convencer que tudo é mentira, que todos os outros são ignorantes e que ele é o máximo.
Num desses dias o Chefe do País das Acácias, o mesmo que é promotor da orgia dos palhaços e das palhaçadas democráticas prometeu-lhe um lugar lá na sede dos palhaços mor. Prometeu-lhe uma casa num parque de diversão, prometeu-lhe uma viatura que fosse executiva. Foi assim que o palhaço dançarino mudou de nome, mudou de rua, mudou de roupa, mudou de amigos e até de ideais. Mas as promessas do chefe tinham uma condição: nada de querer ser herói, não há mais lugar para heróis, ainda mais quando se é palhaço. Todos os palhaços deviam saber dançar um certo ritmo batido no norte e assim foi.
Mas como o nosso palhaço não sabia dançar, sabem o que lhe aconteceu? O óbvio: disse como fazem os macacos que o chão é que estava torto. E como era uma orgia dos palhaços todos outros sentiam o mesmo e ficaram felizes, entraram em gargalhadas, em delírio e começaram a dançar!

Continua….

Terça-feira, 23 de Agosto de 2011

Carta Aberta ao Ministro da Indústria e Comercio

Prezado Senhor Ministro,

Decidi escrever-lhe esta carta porque como jovem que o senhor é poderá facilmente perceber os desafios desta também jovem nação. Este é um país pobre, por cá, em muitos aspectos, se vive um cenário “sui generis” e parece que a cada dia, o nosso povo, se conforma em viver de esquemas e não de políticas públicas.


Eu sou daqueles que não se conforma. Prefiro políticas públicas e não esquemas. Estou saturado de ver pessoas a prosperarem graças ao abuso do poder e da legalidade. É um pouco por causa disso que escrevo-lhe esta carta.
Como o senhor deve melhor saber, neste país, os preços dos produtos de primeira necessidade são marcados a bel-prazer dos vendedores. É normal que um quilograma de açúcar esteja 20 meticais numa loja e na loja ao lado custar 50 meticais. É normal que um quilograma de farinha de trigo custe 30 meticais aqui e ali ao lado custe 60 meticais.


É normal que uma garrafa de água mineral custe 40 meticais aqui e ali ao lado custe 100 meticais. Um vende o quilograma de carne por 75 meticais e o outro vende a mesma quantidade e qualidade a 200 meticais. Em resumo, cada um marca o preço que bem entende e o senhor ministro, parece não ficar preocupado.


Já não basta que os pobres deste país paguem o IVA desses comerciantes? Já não baste que os tais comerciantes vendam produtos sem garantia? Já não baste que não tenhamos uma política de protecção ao consumidor? Já não baste que em muitas circunstâncias adquiramos produtos sem qualidade? Numa verdadeira compra de gato por lebre e o senhor ministro não se preocupe? Ainda por cima temos que sair para as compras sem saber qual o exacto preço dos produtos?


Senhor Ministro, será que é difícil marcar um preço máximo para os produtos básicos? Podia por exemplo determinar que, o preço máximo de um quilograma de arroz é 20 meticais. É portanto, permitido vender a baixo disso, mas nunca acima, sob pena de responsabilização. Podia determinar, por exemplo que um quilograma de açúcar deve custar no máximo 15 meticais, sendo que qualquer comerciante que aplique preços acima desse passa a incorrer em responsabilidades. Note que, os preços aqui mencionados são somente a título indicativo, creio que o senhor conhece os reais preços dos produtos que exemplifico.


Esse seria um ganho durante o seu mandato. Quando o senhor não mais for ministro desse pelouro nós nos lembraremos com muita alegria e orgulho. Terás ganho algo para o nosso povo e não serás que nem aqueles ministros que entram, ficam no poder 2, 3, 4 ou mesmo 5, 6, 7 anos e quando saem não mais nos lembramos deles senão na negativa.


Caso de Pacheco que no Interior só atrapalhou e a única coisa de que nos lembramos é ele a subir a PGR com um relatório de auditoria na mão. É caso de Soares Nhaca que de Agricultura nada entendia e só nos lembramos dele por causa da sua forma mágica de vestir: durante todo o seu mandato, nunca conseguiu combinar a roupa, os sapatos e a gravata.


É caso de Munguambe que dos Transportes nada deixou senão processos crimes. É o caso de Tobias Dai que embora com sangue real, na Defesa deixou-nos lembranças amargas: um país em chamas e vítimas nunca ressarcidas. É o caso de Luciano de Castro que no Ambiente passou como se fosse um fantasma, não foi visto e a ninguém viu.


É também o caso de Alcinda Abreu que nos ensinou uma diplomacia nublada. Só ela percebeu qual foi a política externa deste país. É o caso de Ivo Garrido que pareceu uma ejaculação precoce, tanto prometeu que quando começou a operar parou sem atingir o ponto G.


Podia mencionar tantos outros, desde ministros, vice-ministros, directores nacionais e governadores que passaram pelo poder e nunca criaram mudanças, nem contribuíram para a melhoria de vida dos cidadãos, mais se aproveitaram do cargo do que fizeram os moçambicanos ganharem.


Rogo que esse não seja o seu destino. O senhor é jovem, não é fantasma, sabe vestir-se, sabe comunicar-se e parece que não corre os mesmos riscos de deixar o país em chamas ou não encontrar o seu ponto G. Se não poder influenciar positivamente no comércio, onde acho que não vale a pena obrigar as pessoas a consumirem o produto nacional quando não há politicas públicas que assim incentivem, então vire-se mais para as indústrias.


Este país quando industrializado pode ser bastante rico. A nossa agricultura não anda porque é praticada de forma rudimentar. Mas se começar a pensar em políticas para potenciar os agricultores com máquinas não pesadas, como aqueles tractores de mão, que podem ser importados da índia, da China e do Brasil sem encargos e oferecidos, emprestados ou vendidos a baixo custo para os agricultores ou associações de agricultores, vai ver que vamos ganhar bastante.


Quando descobrires que Moçambique produz bastante fruta como a manga, a laranja e o ananás. Quando descobrires que Moçambique produz bastante mel, bastante mandioca e bastante banana e pensares que podes investir em algumas pequenas máquinas de processamento para produção de sumos, doces, farinha medicamentos e outros géneros, poderás com certeza contar com países irmãos como a África do Sul, como o Zimbabwe e até aqueles que acima mencionei caso de Brasil e verás que terás contribuído verdadeiramente para combater a pobreza através da produção de riqueza.


Combater a pobreza não passa pelo discurso. É falso que a pobreza está na nossa cabeça como também é falso pensar que basta que um produto tenha o selo Moçambicano para que seja consumido por nós.


Senhor Ministro, espero que tenha sido bastante claro para deixar aqui os recados que achamos poder ajudar o país através da vossa intervenção.


Estamos aqui para ajudar onde podemos e lembre-se: quando não mais for ministro poderá arrepender-se de não ter contribuído para mudanças positivas no pelouro, afinal V.excia também terá de comprar dos comerciantes e nós, nós lembraremos de si como aquele jovem que chegou esperto e saiu assustado.

Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011

Big M: a Luz Que te Fará Ver o Caminho

18-08-2011
Hoje, parece que todos nós conhecemos o caminho do destino que pretendemos. Parece que podemos ver o futuro e o passado. Parece que podemos ler os sinais e modificar as regras naturais. Mas há áreas no universo que não dependem do quanto nós podemos fazer. Elas dependem mais do quanto nós podemos ter a luz que nos faz ver e distinguir os caminhos.

Eu, continuo buscando o caminho que me guiará ao destino da existência que me faz merecer esta misteriosa vida. Conto para tal com a luz incorruptível que me guia desde o meu primeiro dia. Esta é a luz que me guia, que guia a minha existência e a existência da minha essência.


Esta, é a luz que almejo um dia guiar o ser que se chama Murenga, o Big M. Murenga nasceu um homem. Nasceu um guerreiro. Nasceu lutando pela sua vida e pela sua existência. Murenga tem um nome que lhe caracteriza, embora lhe tenha sido dado antes mesmo de nascer. Queria eu que ele fosse simplesmente um revolucionário. Alguém que quebrasse os paradigmas e desafiasse o ordinário e o comum. Mas ele foi para além daquilo que a minha mente podia alcançar. Mostrou-me uma outra forma de vida, de pensar e de acreditar.


Nascido fora do tempo, desafiado pelo peso incomum, experimentou a não circulação sanguínea e todos dias pagou alto para comer, para dormir e para respirar. Era um menino que não garantia vida. Um menino que não chorava e não dizia porque! Tão inocente que não percebia o mundo e olhava para todos como quem não se importa de viver ou morrer. Os pais não podiam somente dormir. Ele não podia connosco trocar frases comuns, emitia sinais confusos, sinais que não nos diziam sim ou não. Mas eram sinais de vida.


Foi então que a ciência nos desafiou a capacidade e percebi que no mundo não se sobrevive sem o dinheiro. Percebi também que não se sobrevive sem as pessoas de boa vontade, aquelas que quebram as regras para salvar vidas ou fogem do formal para dignificar a existência. E como pássaros voamos para nenhum lugar a busca do melhor e do nada. A busca de um caminho, de um destino, de uma palavra e de um sorriso.


Hoje, faz um ano este menino. Hoje, diz alguma coisa este menino, hoje vejo neste menino um pedaço da luz que nos fez acreditar na luta e na vitória. Hoje vejo a certeza de um amanhã diferente construído por mãos de boa vontade.


Murenga quer dizer revolucionário. Murenga é um espírito rebelde, inconformado e lutador. Este menino não se conforma com a fraqueza. Ele se revolta contra toda a forma negativa de viver, lutará sim por um amanha ainda melhor e duradouro. Este menino continuará a revolução que paira nos nossos sonhos. É um menino que vive para sempre!


Devo dizer-te Murenga, que a luz que te faz ver o caminho, ela arde dentro de ti e queima. Ela aquece a todos nós que contigo respiramos o ar da imortalidade. Esta luz jamais se apagará. Nunca se apagou. Jamais se apagará porque nós acreditamos e porque as pessoas de boa vontade sempre existirão. Esta luz vive da fé e da boa vontade. E tu precisas desta luz, porque sem ela a existência não tem valor nenhum.


Feliz Aniversário Big M!
Teu pai..

Terça-feira, 16 de Agosto de 2011

Ali Baba e os 40 Ladroes Daqui

A história repete-se. E a de Ali Baba e os seus 40 ladrões teve a proeza de repetir-se aqui. É que um conjunto de pessoas que têm consigo o poder de decidir estão a fazer de tudo para transformar os poucos recursos das pessoas daqui como a sua caverna de riqueza.


Desde o permitido até ao não permitido, o braço longo desses que detêm o poder, não pára de saquear o pouco que a gente daqui tem. O pior, é que, até o pouco que essa gente não tem, também lhe é tirado. Como Samora disse, o ambicioso não muda, mas muda de táctica, assim também o Ali Baba e os 40 ladrões daqui, apareceram com novas tácticas e novos poderes. Vejam só:


Desde as taxas de lixo e de rádio difusão que nos são cobradas compulsivamente e as vezes repetidamente, acresce-se a taxa do imposto autárquico, o valor acrescentado e os impostos sobre os rendimentos. Acima disto vêm as taxas das matrículas de viatura, as taxas de inspecção de viaturas, o manifesto e também as de rádio na viatura.


O bilhete de identidade e o passaporte passaram a ter uma taxa também elevadíssima. Só o cartão de eleitor é que não tem essa taxa (obviamente). Para além destes, temos a contribuição industrial e os impostos sobre os rendimentos de trabalho. Temos também a contribuição predial e a contribuição de registo.




A reconstrução nacional sujeita os cidadãos nacionais e estrangeiros a uma taxa. Isso não é o fim, temos ao seu lado o imposto de turismo e o imposto sobre os combustíveis. Da contribuição industrial nem vou falar aqui. Mas importa dizer que existe um imposto para consumos específicos e o famoso imposto complementar.


Ao lado dos direitos aduaneiros que Ali Baba e os seus 40 ladrões não pagam, estão o imposto de selo, a segurança social e o imposto sobre o rendimento de trabalho. Tudo isto e outro tanto que poderia contar aqui faz parte da estratégia de saque orquestrado por esses ladroes.


Os salários é que não sobem, mas o custo de vida não pára de subir. A riqueza da gente daqui não aumenta mas a pobreza não pára de subir. Também não pára de subir a riqueza e a glória de Ali Baba e os seus 40 ladrões.


A máxima das máximas e a mais recente é a tal lei cambial e o seu regulamento. Uma nítida história de roubarem sem vergonha as poupanças da gente daqui. Só Ali Baba e os seus 40 ladrões é que podem ter divisas. Nós outros, só mostrando um visto de viagem. Dizem que a medida visa recuperar o dinheiro que não foi possível obter com o quase fracasso da história das inspecções de viatura.


Se Ali Baba e os seus 40 ladrões roubassem e compensasse as pessoas daqui com serviços públicos de qualidade ou pelo menos aceitáveis, com certeza que não haveria razões para tanto reclamar. É que quase tudo não anda. O serviço público é o último recurso das pessoas daqui. O ensino não tem qualidade, a saúde não responde os desafios, os medicamentos são retirados dos hospitais para serem vendidos nas esquinas. Os anti retrovirais estão a desaparecer.


O lixo não é retirado das ruas, dos passeios e dos caixotes. As estradas estão esburacadas e o atendimento público é péssimo. A polícia vem para extorquir e a madeira daqui é transportada para China. Os mega projectos não pagam impostos e a televisão pública passa o tempo a dar novelas. Ali Baba e os seus 40 ladrões vão inventado manobras abortivas para fingir que estão preocupados e transformam as empresas de prestação de serviços públicos em suas próprias empresas.


Já ninguém sabe a conta das empresas de Ali Baba e os 40 ladrões, mas muitos sabem que uma boa parte do que inventam em nome do Estado vai para essas empresas privadas ou sai através dessas empresas de Ali Baba e os seus 40 ladrões. Os amigos do Ocidente conhecem a história toda, contudo, preferem fazer vista grossa e apoiar os caprichos de Ali Baba e os seus 40 ladrões em troca de um futuro melhor que nunca chega.


O Ali Baba e os seus 40 ladrões entraram para a caverna da riqueza com o trabalho de casa bem estudado. Depois de terem retirado a venda dos olhos da justiça destorceram o prumo da sua balança e compraram a casa que faz as leis, depois de terem instruído muito bem o garante da legalidade. Coitado dele, era tão bom rapaz.

Mas como é que terminou mesmo a história original de Ali Baba e os 40 Ladrões?

Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

Funcionários Públicos que vivem Prejudicando o Cidadão!


O analfabetismo tem os seus males. Um desses males é a ignorância. Sim, nem todos os ignorantes são analfabetos e vice-versa! Mas muitos analfabetos são ignorantes.


Infelizmente e não sei porquê, muitos funcionários públicos moçambicanos são ignorantes. Eles não conseguem perceber o que efectivamente representam. Alguns não conseguem definir o que significa o termo funcionário público e por conta disso, a cada dia assistimos e registamos actos bizarros dos funcionários públicos que ao invés de cumprirem com a sua missão eles fazem completamente o inverso.





O Estado, nos seus fins, visa garantir a justiça, a segurança e o bem-estar aos cidadãos. E é por isso que contrata pessoas para levaram a cabo tarefas que conduzem àqueles três fins. Essas pessoas designam-se por funcionários públicos.


Um funcionário público é um servente. É verdade sim! Um funcionário público é servente do cidadão, ele é contratado pelo Estado para servir aos cidadãos. Os cidadãos, através dos impostos que pagam ao Estado, contribuem para o ordenado que mantêm os funcionários no activo. Alguém pode dizer que o Estado paga mal aos seus funcionários. A verdade é que paga e paga com o dinheiro dos cidadãos.

Os polícias são funcionários públicos, os militares são funcionários públicos, os juízes e procuradores são funcionários públicos, os alfandegários e os professores de escolas públicas são funcionários públicos, os enfermeiros dos hospitais públicos são funcionários públicos. Aqueles que trabalham nos ministérios, direcções nacionais ou direcções provinciais são também funcionários públicos. A lista é enorme.

Poucos são aqueles que trabalhando em instituições estatais não são funcionários públicos, porem, a maior parte é composta por funcionários públicos.

Deixe-me falar dos prevaricadores:

Comecemos pela polícia. Estes parecem ser os mais prevaricadores os que mais prejudicam os cidadãos. Não interessa se é polícia de trânsito, se é polícia de protecção, se é polícia de investigação criminal ou de intervenção rápida. Logo que ele tiver uma oportunidade aproveita-se dos meios do Estado em sua posse para extorquir o cidadão. (muitos desses meios podem matar, são os meios usados para coagir o cidadão).

Os polícias de protecção, ora porque querem o Bilhete de Identidade, ora porque querem declaração de residência, ora porque querem factura de bens que eventualmente transportas, ora porque querem saber porque caminha aquela hora e no fim da história pedem algum dinheiro para refresco!

Os polícias de trânsito também têm das suas. Mandam parar os automobilistas por nada, pedem carta, pedem livrete, pedem manifesto, pedem inspecção, pedem titulo de propriedade e bilhete de identidade, perguntam sobre o cinto de segurança, verificam as piscas, as luzes, o interior da viatura, o estado de embriagues ou lucidez do motorista e por fim o mais importante: um dinheiro para refresco! Adoram ser chamados de “chefe”.

Azar teu se cair nas mãos da polícia de investigação criminal. (sobre estes devo abrir parentes aqui: a direcção deles gosta de deixar os doutores, os moderados e os não ignorantes sentados no escritório e mandam os buçais, os grossos e os ignorantes para as operações) estes quando vão as operações e encontram o suspeito, já lhe condenam: começam os chambocos, tiram-lhe os bens todos, colocam-lhe na bagageira do carro e dão voltas pela cidade com ele. Se tiver dinheiro e celular, eles levam. Se quiseres subornar, podes faze-lo. Eles vão aceitar, vão dar te uns pontapés e mandam-te para casa. Adoram ser chamados de “doutor”.

Da FIR não vou falar. Já os conhecemos, eles quando chegam destroem tudo que encontram e depois os Ministros vêm afirmar que os tais agentes estavam a servir o povo garantido a segurança.


Outros prevaricadores sem escrúpulos são os funcionários dos guichés, nas repartições públicas. Nunca chegam a hora, nunca tomam atenção nos pedidos dos cidadãos, estão toda a hora a comer ou a falar ao telefone, usam intervalos longos e são pontuais na saída: 15hras já não atendem ninguém. E o horário da função pública é 15.30Hras. Para o teu assunto suceder, tens que deixar “algum” com o funcionário que te atendeu. Muitas vezes o chefe já perde o controlo desses funcionários e só atende casos que lhe são permitidos receber. São casos daqueles que “soltaram” algum lá na secretaria.

Dos alfandegários não preciso falar aqui. Eles se destacam por engordar mais que todos os funcionários públicos. Só competem na gordura com os polícias de trânsito e com algumas senhoras dos guichés de certas repartições públicas. Por uma única razão: estão amarrados num sítio com muito bom campim!

Dos juízes e procuradores já se disse muito. A justiça deles tem cor e muitas vezes depende se recebe um envelope ou uma chamada telefónica. É engraçado que a balança que usam carrega um camelo com muita facilidade e rapidez mas morre de sufoco quando é para carregar uma formiga.

Os enfermeiros são capazes de deixar um pobrezinho morrer. Mas fazem de tudo para atender alguém que pode “soltar”. Perderam a sensibilidade. A única sensibilidade que ainda lhes resta é a do dinheiro. Possuem um faro apurado para distinguir quem tem dinheiro e quem não tem.

Os motoristas dos transportes públicos de passageiros, que também são funcionários públicos, já não têm diferença com os motoristas dos “chapas 100”, ou motoristas dos matadouros ou currais. Sim, até parece que transportam animais: não respeitam as velocidades, não respeitam as ultrapassagens, não respeitam as lombas e muito menos respeitam os semáforos e os outros automobilistas. Estes também são pagos pelo dinheiro dos cidadãos.

Pior de todos esses são os chefes deles. Vivem de todas as mordomias pagas pelos cidadãos e ainda roubam o dinheiro que deveria servir para melhorar a vida das pessoas. Sacam o dinheiro do Estado para as suas contas pessoais, usam carros do Estado para seu bem pessoal. Utilizam funcionários públicos de baixa categoria para seus trabalhos domésticos. Gabam-se de ser antigos combatentes, de libertarem a pátria e de terem determinado apelido. E vão espezinhando o máximo que puderem: seus inferiores, seus colegas, seus inimigos, os cidadãos e as vezes a sua própria família.

Criam empresas para concorrerem com o Estado e particulares. As suas empresas sempre ganham os concursos públicos. Produzem ou importam produtos para fornecerem ao Estado e envenenam o sector privado com a sua ganância de enriquecer e enriquecer mais e mais.

Estes funcionários públicos e outros que não consegui mencionar, vivem a custa dos cidadãos. São verdadeiras sangue sugas. O que prejudicam os cidadãos, os que demoram os processos, os que encarecem os custos, os que perturbam a vida e os que reproduzem o desespero.

Ao lado deles estão os deputados da Assembleia da Republica, que também são funcionários públicos. Possuem salários chorudos, acabaram de receber 10 milhões de dólares para comprar viaturas do “último grito” para cada um dos 250 deles. Possuem passaporte diplomático, não pagam direitos aduaneiros, viajam na primeira classe, tem a renda de casa paga e um conjunto de subsídios. Adoram serem chamados de “Excelências”. Mas passam vida a dormir e ou a legislar matérias do seu próprio interesse ou do interesse dos partidos!

Com este andar, precisamos encontrar outro conceito para os fins do Estado, já que estes agentes não prosseguem o fim para que foram contratados, garantir a justiça, a segurança e o bem-estar dos cidadãos. Já que caminhamos para uma possível revisão Constitucional, porque não propormos acrescentarem nos fins do Estado o seguinte: “O Estado também visa extorquir o cidadão, prejudicar o cidadão e realizar os objectivos dos seus representantes?”.