quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A Questão Sócio Económica em Moçambique


Sobre a Abordagem e o Diálogo

Moçambique é um dos países mais pobres de África e do mundo, mesmo assim é preciso ressaltar que o país também consta da lista dos que estão em franco crescimento económico, o que lhe rende muitos louvores, mais credibilidade, mais apoios e investimentos.
Apesar do tal crescimento económico nacional mostrar, em termos percentuais, avanços significativos, o maior desafio ainda reside na capacidade de transformar esses ganhos em benefícios para os cidadãos. Quando falo em cidadãos gostaria de ressaltar que me refiro maioritariamente aos que moram no campo, o campo que alberga cerca de 70% de toda população nacional.

Mas os problemas sócio económicos moçambicano ou dos moçambicanos não se resumem nos tópicos que eventualmente possam ser discutidos, e até de forma sábia e científica pelos pensadores que nos últimos dias intervêm na nossa arena social.
Um factor positivo nisso tudo é que a consciência do diálogo e ou do debate está cada vez mais a crescer e cada cientista, dentro do seu ramo de saber, contribui com premissas e elementos que de certa forma ajudam a reflectir nas prováveis respostas ou soluções para os problemas que continuam a impedir o desenvolvimento humano no país.
Outro factor importante é que mesmo sendo visível em certas argumentações, conotações políticas ou cores partidárias, existe também uma grande inteligência dos leitores e comentadores em expurgar o que não é relevante para somente manter o útil e o essencial nas abordagens.

Penso entretanto que, muitos dos cientistas que discutem a questão social moçambicana, pela dificuldade que têm do contacto directo com a realidade, são reféns do que podem ouvir dizer, do que podem ver, ou do que podem ler em pequenos círculos. Dai a dificuldade de poderem dimensionar o palco dos problemas que se pretendem discutir.
O palco ou a arena onde os moçambicanos se digladiam dia a dia pela vida estende-se do Maputo ao cabo Delgado ou se quiserem de Cabo Delgado ao Maputo, o que quer dizer que ao longo do mesmo palco as realidades, por vezes divergem e as necessidades se diversificam, o que muitas vezes chama por respostas diferentes, mesmo que o problema seja idêntico.
Quem vive no Maputo e não tem o costume de ir ao interior dos distritos, fica na ilusão de que Moçambique é todo brilhante, onde todas as crianças cantam e vivem alegremente, todos moçambicanos tem acesso aos 5 ou 6 canais livres de televisão e que todos sabem o que é um t-bone, um sorvete, um cinema ou um chapa para ir e vir.

Quem vive em Macossa por exemplo, e não tem possibilidade de viajar para Chimoio, Tete ou até Maputo, fica na ilusão de que Moçambique todo não tem energia eléctrica, não tem celular, não tem chapa 100, não tem rádio, não tem restaurante e que todo mundo precisa de andar 20 ou 50 km para chegar ao hospital mais próximo, ou que acima de metade das crianças que nascem em Moçambique não têm a possibilidade de chegar aos 5 anos de idade.

Essa diversidade ou divergência, não relativisa nunca as necessidades básicas, descartando logo de imediato a possibilidade de alguém querer questionar o que são necessidades básicas e se elas são mesmas para pessoas que vivem em contextos sócio - económicos diferentes.
Na verdade, a fome é fome, a doença é doença, a dor é dor, a morte é morte, a lágrima é lágrima, o amor é amor, o ódio é ódio, a liberdade é liberdade, a prisão é prisão e a pessoa humana é sempre pessoa humana. Não interessa em que língua se fala sobre isso, não interessa onde se fala sobre isso, não interessa quem, ou como fala sobre isso, os conceitos absolutos têm o seu valor em si mesmos, independentemente do que o cientista pode oferecer ou pode criar.

Para alem da relatividade que a gente procura apagar quando falamos das necessidades básicas dos cidadãos, sendo essas o núcleo dos indicadores apresentados para avaliar e graduar o nível de vida no nosso país e nos outros do mundo, também está a questão relacionada com a capacidade de discutir os problemas e não as pessoas, as metodologias por si usadas, as suas crenças, as suas origens ou a sua orientação filosófica ou política.

O músico que admiro diz: o homem esfomeado é um homem zangado. E eu acrescento: ao homem esfomeado e zangado não se pede o rigor metodológico, ao homem esfomeado e zangado não se pede o aprumo cientifico, ao homem esfomeado e zangado não se exige serenidade e paciência, ao homem ou a mulher esfomeados dá-se-lhes, imediatamente, algo para comer ou meios para que encontrem a comida e matem a fome.
É importante que cada um se valorize com o seu trabalho através da valorização que dá ao trabalho dos outros. Por mais incrível que pareça, é o trabalho dos mais ridículos que torna os sábios cada vez mais sábios e evidentes. Para que conste, foram os sofistas que descobriram a Sócrates.

A capacidade de dialogo dos actores sociais passa necessariamente em compreender o problema. Quando o objecto está clarificado então as partes se entendem. O que eu percebo é que dos vários actores que discutem a questão social moçambicana, poucos realmente tem a imagem e a dimensão do problema que se pretende estudar e resolver.
Muito poucos é que conseguem enxergar o caminho que se pretende trilhar com vista ao desenvolvimento humano no nosso país. Uma pequena fracção tem a força, a ousadia e a coragem de assumirem que conhecem o problema, conhecem o caminho, conhecem o fim e aceitam o desafio. Sim, desafio porque a maioria é jovem e não tem certeza do futuro, já que em Moçambique tudo é obvio.

Realmente é tudo tão obvio no nosso país que é quase do consenso comum que ao Estado, ao mesmo tempo que não se deve responsabilizar pelas políticas públicas inclusivas e participativas, também não cabe responder as necessidades básicas dos cidadãos.
Para finalizar, já que o trabalho de muitos é fabricar ideias e defender a razão, deixo ficar a realidade do pai que respondeu ao filho filósofo que: “filho o primeiro frango é meu, o segundo é da tua mãe e esse terceiro ficará para ti”. Afinal o filho filósofo na mesa de jantar com dois frangos assados disse o seguinte aos pais: “sabe pai, em filosofia esses dois frangos podem ser três”.
Obrigado

3 comentários:

Anónimo disse...

Quero juntar-me ao seu ponto de vista sobre a questao de desenvolvimento em Mocambique; A realidade desde pais esta no campo onde 70% da populacao vive a dor, a tristeza e muito mais sobre bem estar. Nao, gostria de ser pesimista mais mostrar que este pais ainda vive de semitrias, disniveis de crescimento do Cabo delgado a Maputo e vice versa do indico ao zumbo. Tenho dito

Anónimo disse...

adoreeeeeeeeeeeeeeeeeeeei!

Anónimo disse...

mt bom