terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Jogo Político Até o dia 28 de Outubro: o Papel da Mídia



As eleições a acontecer no dia 28 de Outubro do corrente ano trazem consigo uma forte carga de luta e competição. Trata-se das quartas eleições presidenciais e legislativas e primeiras eleições provinciais.

O povo moçambicano tem sido elogiado por conseguir realizar as eleições em datas e anos previstos. Muitos outros povos não conseguem fazer isso, é só olhar o jogo que está a acontecer em Angola para a marcação das eleições Presidenciais. Apesar de termos uma história quase semelhante, somos diferentes animais políticos.

O jogo para o dia 28 já começou e a luta já é visível. Para alem dos recados que os candidatos mandam um para o outro, como o que candidato da Renamo fez em relação ao candidato do MDM a quem apelidou de miúdo, alias como sempre o disse, frisando que este obteria somente 3% dos votos, a mídia já começou a escolher os seus favoritos.

Deixe-me dizer que o cenário trazido pelo Conselho Constitucional ao excluir 6 dos nove candidatos facilitou a vida de uns e complicou a vida de muitos outros. Não há duvidas que a maior parte do favoritismo dos actores jornalísticos, económicos, culturais e até bloguistas vai recair sobre a Frelimo e o seu candidato, mas essa tendência, por parte de quem se espera pudesse ser independente, seria escondida no maior número de candidatos, agora que são só 3 a coisa complica-se.

Não querendo fugir do aproveitamento político a que muitos dos artistas da política recorrem no cenário, para atingirem seus objectivos, penso que será nesta fase que mais uma vez, será acentuado quem é puxa saco e quem é apóstolo da desgraça. Imagine por exemplo um cenário em que a Frelimo e o seu candidato marcam um jantar de angariação de fundos num hotel e, nas vésperas o MDM e o seu candidato também marcam um evento com os mesmos propósitos em outro hotel. A verdade é que muitos terão MEDO de serem vistos em um hotel e outros quererão a todo o custo serem vistos noutro.

Com ou sem acordos políticos, os editoriais jornalísticos, televisivos, faxs, bloguitas e até comentários em programas televisivos, já começaram a realizar campanhas para os seus favoritos e contra seus adversários. E um dos grandes indicadores disso é o aproveitamento que se vê de certas questões pontuais e sem conteúdo para o efeito, mas com peso suficiente para serem usadas como cavalo de batalha para rotular um ou outro.

É uma fase difícil para os actores da informação, eu acredito, mas o cuidado é sempre necessário para não fugirmos das obrigações éticas da própria profissão de informar. Os actores da informação que saem fazendo juízo de valores em relação a um candidato ou prejudicando certo partido, não estão a ser justo com os cidadãos nem consigo mesmo.

O jogo politico deve ser deixado aos políticos e os jornalistas, os analistas, os blogistas, e outros inteligentes, devem dedicar se ao seu trabalho e não na qualificação com base em presunções assentes no preconceito e ou em simpatias que nutrimos em relação a um e em prejuízo de outro.

O facto por exemplo de discutir-se na mídia que candidato tal, por ter inaugurado um complexo turístico ou por ser natural de determinada região é o melhor que se deve ter para a presidência do país e que o outro candidato pelo facto de ser de outra região ou por ter sido irreverente em determinadas matérias da governação não serve como presidenciável é falacioso. Não estamos aqui a usar premissas certas para a discussão.

Antes de discutirmos pessoas devemos discutir os problemas que se levantam. Só depois olharemos para outros elementos que se acharem importantes para análise.

Pessoalmente nem concordo com o método eleitoral das assinaturas para a candidatura, considero o direito fundamental ao sufrágio universal não dependente do número de apoiantes ou opositores que o cidadão possa ter, mais do que elementos formais para a candidatura ao cargo do Presidente da República, devíamos optar pelo requisitos materiais, mas isso é discussão a ser levantada mais tarde. Acho o método das assinaturas extremamente fraco e com espaços para manipulações.

E aqui, a mídia podia ganhar mais discutindo essas matérias do que a pessoa dos candidatos. Mas porque é que a mídia pretende influenciar o público em relação a determinado candidato ou a determinado partido? Será só porque acredita no potencial do tal e se identifica com os seus ideais ou porque existe algum outro tipo de compromisso?

Faço votos para que todos os outros não se metam nesse jogo político, nem por via da corrupção, já que alguns editores e jornalistas começaram a receber certas encomendas e regalias para que façam o seu trabalho sem “problemas e dificuldades”. Mas para que os jornalistas, analistas e outros não sejam corrompidos, é preciso que tenham condições financeiras e materiais.

E esta das condições materiais e financeiras, diz respeito também aos partidos políticos e seus candidatos. Como é que se espera que partidos e candidatos sem recursos venham a fazer uma campanha a altura nacional? Com certeza terão que fazer um bom jogo de cintura e saber aproveitar muito bem os pequenos momentos que a mídia lhes vai oferecer, bem assim o seu tempo de antena.

Existem em Moçambique partidos grandes e partidos pequenos. Existem candidatos experientes e candidatos inexperientes, entretanto, era bom que tanto os grandes como os pequenos, entrassem no jogo politico com as mesmas oportunidades e meios, isto quando olhamos para os recursos públicos disponibilizados. Mas ok, seja como for cada um vai conseguir cuidar dos seus próprios interesses, eu somente me preocupo com o que tenho contribuído para o erário público.

Temo também que mais do que profissionais e analistas venhamos a ser instrumentalizados por gente que somente pensa no poder e não se lembra dos cidadãos. Os vários recados dos candidatos às presidenciais, os comentários dos analistas e dos inteligentes, para alem do cenário que se visualiza nos vários editoriais, deixam espaços para vários questionamentos sobre a qualidade da informacao que consumimos e sobre a imparcialidade, a independência, a fidelidade e condições materiais nas eleições que se avizinham.

Mais não disse.

8 comentários:

Ivan Moraes Filho disse...

a wena!!!

Te encontrei, mungano! Perdi teu email, cara. Tou vendo teu blog. Tudo em cima por Maputo?

Qdo puder, dê uma olhadinha na minha bodega (www.bodega.blog.br) e no programa Pé na Rua (www.penarua.tv.br), que é meu novo bebê.

sala na hosi,

Guanazi disse...

Custódio!

Creia meu amigo, que o povo votará com consciência, aliás, é o que espero dos meus concidadãos, que não se deixem levar pelos papagaios da mídia. Ainda bem que o voto ainda é secreto em Moçambique.Dependerá de nós, cidadãos conscientes, com a nossa arma, que é o boletim de voto,fazer com que as coisas sagradas não mudem pra o pior.

vania ngoque disse...

Amizade...
Bem haja artigos desta natureza neste momento de muita emoção, intriga, bate boca entre os partidos politicos. O bom senso é que deverá reinar em volta de tdo este processo, començando pelos mídia,partidos politicos e nos cidadaos. Usemos todos as mesmas armas, sem trapassear, sem enganar, sem promessas enganadoras, e acima de tudo sem injurias e calunias uns contra outros...desta forma poderemos alcançar um processo transparente livre e justo.

Egídio Vaz disse...

Recado dado!
Abraços e estamos juntos.
Egídio

Voz da Revolucao disse...

Prezado Duma

A exclusão de alguns candidatos por exiguidade de prova documental é reflexo da falta de organização destes na tramitação dos processos de submissão de candidaturas.
Em virtude destes acontecimentos os cenários não se complicam, apenas cria-se um cenário mais comodo para o eleitorado que terá que escolher entre Armando Guebuza, Afonso Dhlakama ou Daviz simango.
A tendencia de voto vai manter-se na mesma sequencia e não há evidências de correlação entre o número de candidatos a presidente e a tendencia de voto no caso Moçambicano, segundo alguns analistas políticos a quem pudemos consultar.
Um elemento de salientar é o facto de muitos candidatos e partidos atribuírem à sua fraqueza aos seus adversários directos na corrida eleitoral. Provavelmente este cenário se registe com maior prevalência na cidade da Beira. Se a Renamo não consegue realizar um comício na Beira poderá remeter a responsabilidade ao MDM ou ainda, tal como aconteceu em Maputo, a fracassada tentativa de realização de um comício do MDM foi atribuída à FRELIMO.

Vozdarevolucao

Guanazi disse...

Hei
ó voz da revolução!

o timoneiro da freli já decretou: nada de cantar vitórias antes do tempo. cadê a grande disciplina partidária?

Custódio Duma disse...

Ola amigos

nao há duvidas que o periodo eleitoral é muito tenso em todos os contextos políticos. Uma das evidencias é a troca de mimos entre os interlocutores, Mocambique nao é uma excepcao.

precisamos analisar todos os fenomenos da situacao sem ideias preconceituosas em relacao a este ou aquel pertido ou entao em relacao a este ou aquele candidato. esse exame faremos todos no momento de votacao.

é verdade que os que foram excluidos pelo Conselho Constitucional foram desorganizados e mal preparados, em algum momento tiveram intencao de ludibriar o processo, mas para mim isso é de menos, penso que mais do que assinaturas, a questao que se deve levantar é se o meu direito de votar e ser votado deve depender de 10 mil ou 20 mil assinaturas. Afinal nao é um direito fundamental?

ok, mas esse é debate para outro momento, entretanto esperemos para ver a campanha eleitoral, que para os devidos efeitos já comecou.


paz

Guanazi disse...

PAZ!