domingo, 12 de julho de 2009

Apóstolos da Desgraça, Lambe Botas e Puxa Sacos: Quem os Cria?




Quando proibiram a Bob Marley de fumar soruma, ele procurou saber porquê e a resposta foi: porque isto te tornará rebelde e Bob disse: Rebelde contra quem? Ou contra o quê? E na verdade aqui é que reside a questão: a rebeldia é em relacão a quem? Ou a o quê?

Um amigo meu começou o debate sobre os apóstolos da desgraça versus puxa sacos ou lambe botas ou ainda escovas. Vou escolher o termo lambe botas e puxa sacos para tambem designar a todos os chamados escovas e até yesman.

Nesse debate, eu dizia que: e eles, nem nos dão a chance de ser outra coisa, ou seja, o cidadão ou é lambe botas ou é apostolo da desgraça. Nao há possibilidade de ser outra coisa. Até aqui, várias perguntas podemos levantar e tentar responder? Quem sao os puxa sacos e quem são os apóstolos da desgrça?

Normalmente, os apóstolos da desgraça são aqueles que criticam o Governo e esse termo foi inclusive popularizado por Sua Excia o Presidente da República, quando se referia àquele que não conseguem ver frutos da sua governação e criticam tudo, por tudo e por nada. Ai ficou a designação e generalizou-se.

Os puxa sacos ou lambe botas, estes viram a sua designação inventada, acho ser pelos apóstolos da desgraça. Na verdade, ao lado de todos os argumentos dos apóstolos da desgraça sobre má gestão ou gestão danosa da coisa pública, muitos intelectuais não conseguem ver o que está errado. Para eles tudo vai às mil maravilhas e o país está muito desenvolvido e o povo moçambicano feliz da vida.

Por exemplo, no jornalismo, Paul Favet seria um puxa saco ou um lambe botas e Salomão Moyana apóstolo da desgraça. Nos comentadores televisisvos, o Amorim Bila é um puxa saco ou lambe botas enquanto que o Venancio Modlane é um apóstolo da desgraça. Nos músicos, Azagaia é um apóstolo da desgraça enquanto que o MC Roger é um lambe botas ou puxa sacos. Nos pesquisadores sociais Joseph Hanlon é um apóstolo da desgraça, Castelo Branco é também um apóstolo da desgraça!

Podia alongar a minha lista com vários exemplos daqueles que são chamados apóstolos da desgraça ou labe botas e puxa sacos. Mas de nada adianta e o mais urgente agora é tentar responder: quem os criou? Vimos acima quem os rotulou ou deu nome, mas e agora? Quem criou os lambe botas, puxa sacos e apóstolos da desgraça? Aqui é que voltamos à pergunta de Bob Marley: Rebelde contra quem ou contra o quê?

Olhando para o enfoque de uma ou outra ala, vemos que todos agem em relação à governação, o que nos faz pensar que deve ser o próprio poder que os criou. Na verdade o puxa saco ou o lambe botas, o faz em relação ao governo e os críticos também criticam a governação. Ou seja, segundo o que se diz, o puxa saco quer ter favores, proteção e pão dado pelo poder e o apóstolo da desgraça prefere comer o pão que o diabo amassou, mas não consegue calar se perante certas situações de má governação.

Penso que é o próprio sistema de governação que cria tanto os puxa sacos ou os apóstolos da desgraça. Na verdade, a tal rebeldia seria em relação ao governo que no caso de Bob Marley rotulou de Babilonia, aquela que vive sugando o sangue do povo. Na sua pergunta ele queria somente dizer que: se deixarem de sugar o sangue do povo, não haverá rebeldes e isso não tem nada a ver com fumar ou não a soruma.

Ao lado dos apóstolos da desgraça ou dos puxa sacos, será que existe espaço para outros grupos ou outras alas? Ou o debate moçambicano é bipolarizado entre os pró governo (lambe botas e puxa sacos) e os contra governo (apóstolos da desgraça)? Acho que existem sim, a oposição. Embora em termos práticos os apóstolos da desgraça sejam considerados aliados da oposição. Se soubessem que a oposição moçambicana está quase falida e os apóstolos da desgraça muito fortalecidos, não haveria tal equivoco.

Na verdade, a criaçao de uma ou outra ala parte de pressupostos errados. Àqueles que são chamados de apóstolos da desgraça nunca foram contra o governo. Eles não pregam uma anarquia, ou o escangalhamento do aparelho do Estado. Embora critiquem certos pontos da governação, os tais apóstolos da desgraça são um fenómeno essencial e necessário na construção de um Estado de Direito, baseado na justiça social e na boa governação.

Já os lambe botas e os puxa sacos, não sei muito bem se são necessários, mas muitas vezes ajudam a ver as coisas boas da governação. Normalmente essas coisas boas são apagadas ou ofuscadas pelas muitas coisas más. Sabe-se que a má notícia corre mais rápido que a boa e se calhar os lambe botas e os puxa sacos sejam o turbo das boas notícias ou da boa nova. É isso, são também apóstolos, mas neste caso, apóstolos da graça, tipo os apóstolos de Cristo.

Acho que, mais do que tentar fazer um ou outro deixar de fumar soruma é importnte que a própria governação se reveja e se dedique um pouco mais às reais necessidades dos cidadãos. Mais do que os apóstolos da desgraça, que no geral são tão poucos e muitos confinados na cidade do Maputo, que só aparecem graças aos interesses da mídia: existe o próprio povo, o povo que fez a Revolução de 5 de Fevereiro de 2008. Estes sim, são muitos, são fortes e não olham para medidas quando a ordem chegar.

A última coisa que gostaria de saber é: será que os puxa sacos sabem o que levam nos sacos que puxam? E os lambe botas? Onde apanham tanta saliva para lamber tudo que é bota. Essa gente tem capacidades extraodinárias e línguas anormais. Já dos apóstolos da desgraça? Será que não temem o inferno? E se o rei dos reis executar a sentença que já proferiu?

Gostaria que o apóstolo do jornal dominical escrevesse um pouco sobre essas coisas dos apóstolos da graça ou da desgraça. Eu até sou fã dos seus evangelhos, mesmo não abendo se ele é da graça ou da desgraça!

12 comentários:

vania ngoque disse...

E prazeiroso comentar a esta exposicao sobre brushistas,puxa sacos e apostolos da desgraca.

No meu entender, estes individuos assim rotulados sao extremamente fracos, incapazes de fazer coisa alguma com o seu proprio esforco, limitam-se apenas em cansar e queimar quem quer que seja, em seu proprio beneficio. Nao se preocupam em construir o seu Eu, mas sim em Ter mais e mais usando o seu poder fraquissimo e cansavel.

Os apostolos da desgraca, estes acham-se representantes do povo,acham-se e veem-se como a voz que o povo precisa, salva vidas. Criticam a todo a qualquer momento para eles nada foi feito a toa ha sempre um pros em qualquer accao.

Nao e necessario ser puxa saco ou lambe botas para ter ou ser, e preciso despertar dentro de si um potencial que existe mas em estado latente e acrediatr que voce pode igual aos outros voce tambem pode brilhar com merito.

Nao e necessario criticar tudo e nada para ter um espaco, nao e necessario tirar o merito de uma grande obra para seres ouvido por uma ideia idiota que julgas ser pertinente...saiba ceder e falar no momento e horta certa...

Reflectindo disse...

Mano Duma, boas questões levantas e realmente acho necessário que discutamos sobre quem criou e cria puxa-sacos, lambe-botas e apóstolos da desgraca. Quem será? Se todos estes rótulos dizem respeito a governantes, não teriam sido estes quem criaram aqueles ou pelo menos facilitaram a sua existência? Onde está e qual é a área de actuacão dos puxa-sacos, lambe-botas e os apóstolos da desgraca?

Uma outra questão fundamental é se nós mesmos escapamos algum destes rótulos? Qual deles acreditamos que nos é atribuido?

Com certeza devem haver os que escapam ser rotulados. Que curandeiro usam eles para não serem rotulados?

Ando muito confuso com o termo "apóstolo da desgraca". qual será a sua origem? Será mesmo isso de criticar tudo por tudo ou ficamos sem saber o que o Presidente da República queria com isso dizer, porque ninguém já o perguntou? Quo vadis os nossos jornalistas? Imagino que ainda não saibamos o significado de auto-estima outro termo de Armando Guebuza.

Uma outra questão chave, penso, seria analisarmos sobre se estas "posturas" de ser puxa-sacos, lambe-botas, escovinhas e apóstolos da desgraca são novas ou antigas. Se forem antigas, como eram antes e como são agora?

Volto...

Custódio Duma disse...

Ola Vania,

Na verdade, um e outro extremo só nos criam problemas. O meio termo é que o mais sensato!

Se vc nao vive lambendo botas, acaba sendo um corpo vazio que nao teve possibilidades de explorar todo seu potencial.

Ao mesmo tempo que se vc é um pessismista acaba apanhando um ataque cardiaco!

Somos exigidos s ser prudentes, astutos e humildes.

Mano Reflectindo, gostei desse novo aproach que coloca: Aprofundar mais as questoes e penso que o debate foi lancado, com ou sem pressupostos completos, mas suficientes para comecarmos. e prometo pegar os pontos que levantou para a proxima reflexao.

Na verdade, parece que os nossos interlocutores acabam passando a mnsgem de que entendemos todos termos e nem sempre é assim!

Aceito o convite de investigarmos mais...

Optima semana mano

Custódio Duma disse...

Vania, eu quis dizer: se vc vive lamendo bota....no comment acima!

Anónimo disse...

Qual Vania, qual carapuca, é um Vanio disfarcado amigo

Custódio Duma disse...

Opa, realmente somos obrigados a desconfiar de tudo...tens razao...mas porque o perfil dela está visivel em outro espaço, sou obrigado a creditar que é VANIA...será que tens um argumento forte para contrapor??

Noa Inacio disse...

Camarada Duma,

Encontrei esta tua reflexao pertinente que se enqudra de alguma forma no meu ultimo texto escrito em Junho o qual te convido a ler, razao pela qual comecei este comentario, de uma forma tambem pertinente para enquadrar o debate que levantas.

Permita-me dizer que duma analise global esta dicotomia (puxa saco vs apostolos) tem a funcao positiva de nos permitir analisar os dois lados da nossa governacao o positivo e o negativo.

De alguma forma respondes no seu texto que esta dicotomia e criada pela estrutura sistemica do Estado que nao abre espaco para uma discussao franca e aberta dos assuntos, ritulando aos criticos de apostolos independe do objectivo construtor de determinadas criticas. Por outro lado, o sistema estruturou as coisas de tal forma em que esta claro que fica dificil para o interesse individual e profissional ser alcancado quando nos temos uma postura de frontalidade, sendo mais facil prosseguir profissionalmente quando somos seguidistas ou quando nos abstemos de debater o pais.

Ha uma analise que penso que tocas ao de leve, que e o caso de intelectuais que tem por profissao ser "apostolo de desgraca" ou seja a estrutura das suas organizacoes vivem e so podem viver se atacarem sistematicamente o governo, assim como pessoas que tem como missao criar um estimulo ao sentido de governacao, sem tomar a peito as questoes centrais que sao discutidas.

De forma geral penso que estes dois segmentos tem um papel importante na sociedade mocambicana se existem para construirmos o ideal governativo, o mau e existirem pessoas que se especializam em atacar a accao governativa sem reconhecer as conquistas alcancadas assim como existirem pessoas que tem os olhos vendados que nao lhes permite ver os erros na governacao, com esses extremismos nao sairemos desses grupos.

Custódio Duma disse...

Querido amigo,

Folgo em saber que há gente como tu que percebe a essencia das coisas e se predispoe a dar uma dica para melhorar a coisa!

Prometo voltar de uma forma mais elaborada com a questao dos lambe botas, puxa sacos e os apostolos da desgraca, mas permita-me, meu amigo, deizer o seguinte:

1. A governacao é uma relacao de poder, uma relacao de poder em que uma das principais actividades é a tomada de decisoes e a escolha de opcoes visando o bem comum;

2. As decisoes e as opcoes nem sempre serao direcionadas ao povo que elegeu o governo e nesse estar, é obvio que encontraremos pelo menos tres bancadas: os pros, os contra e os moderados;

3. Receio que os puxa sacos, os lambe botas e os apostolos da desgraca nao estejam inclusos numa daquelas categorias, senao na recriacao do imaginário político de quem gosta de excluir ou manipular.

Como disse, voltarei com toques sobre a matéria.

Valeu o convivio sabatino nao?

Egídio Vaz disse...

Caro Duma e outros comentadores que aqui desfilam:
COngratulo-me com todos os comentários aqui expostos. Porém, antes de falar sobre os graxistas e apóstolos da bonaça e desgraça, gostava antes de saber quais as condiçoes que criam estes comportamentos. E, numa pesrspectiva comparatda, ver as tendências: se está aumenta rou diminuir. Um olhar simples e até desatento confirmará que quanto mais as liberdades sao coartadas e o estado mais partidarizado, maior será a emergência de iniciativas senis como as de rgaxistas. Tinhamos no último Governo de Chissano, membros declarados da Renamo a assumirem pastas de direcção, como sejam os casos de Benjamim Pequenino e o ex deputado Dionísio Quelhas. Competência era a estandarte. A imprensa era mais livre e a censura interna era assunto que começava a ser esquecido. Hoje, podemos ter uma reportagem sobre uma acusação feita por um partido da oposição as 12 e a noite, termos trinta minutos de um desmentido da Frelimo, numa peça que apenas teria durado 2 minutos!
Isso documenta o meagrecimento do espaço de liberdade e de plena emancipação do homem, perante os poderes políticos instalados.
Abraços e estamos juntos.

Reflectindo disse...

Estamos a ter respostas quanto conceitos puxa-saco e lambe-botas pelas contribuicões acima. Egídio na sua característica: dar nomes aos bois se recuar nem hesitar. Os exemplos que o Egídio deu aqui servem para uma prova nacional de como o lambe-botismo, o puxa-saquismo foi estimulado pelo governo vigente.

De facto, embora seja importante discutir sobre os termos, não acho que haja muita dúvida sobre o que é ser puxa-saco, lambe-botas. Estes estão em todo o lado: nos partidos, nas empresas, no mercado, na família alargada, nos circulos de amigos, etc. Os que nos chamam por patrão nos mercados são lambe-botas, pois até sabem que não somos os seus patrões, mas assim dizem para comprarmos os seus produtos sem olharmos pela qualidade dos mesmos.

Seja como for lambe-botismo ou puxa-saquismo é uma estratégia de sobrevivência que antes é prejudicial aos que se lambem (lambidos), pois ficam sem saber os seus méritos enquanto que quem os lambe sabe o que está a fazer. Falei de estimulação ao lambe-botismo ou puxa-saquismo por não ser algo novo. Ser “slimy” foi sempre uma estratégia de sobrevivência em sociedades onde as liberdades são restritas. Não me refiro aqui do que está no papel, mas o que é realidade em Moçambique.

Custódio Duma disse...

Mano, estamos mesmo a avancar, mas veja que cm as eleicoes aumenta o numero de lambe botas, ja que as botas estao agora cheias de acucar. Ta tudo a ficar doce e as pessoas a procurarem sobrevivencia.

É que, nessa coisa, parece k os conceitos passam a ser relativos. O Puxa saco de um é apostolo de outro e vice versa.

mais do que isso, penso que precisamos de aprofundar mais sobre aquela zona ocupada por gente que nao é nem puxa saco nem apostolo da desgraca!

E depois tem algo filosofico que precisa ser tambem aprofundado, um é puxa saco convicto e outro o é porque é assim chamado. O apostolo tambem, tem um que assim se considera e outro que nao se acredita ser. Embora nao nos esquecamos que foi o PR que inventou os apostolos da desgraca!

Ainda há muito por se dizer heimmmmmmmmmm

Reflectindo disse...

Mano, sem sombra de dúvidas a nossa luta é e tem que ser a procura de um espaco para os que não são puxa-casos e nem apóstolos da desgraca segundo o conceito popular. Ainda tenho dúvidas sobre o que Guebuza queria dizer com o termo "apóstolos da desgraca". Embora eu não tenha dito ainda a razão da minha dúvida, e a seguir, na tua nova postagem, terei que me explicar, penso que Guebuza usou a expressão duma forma não como os seus apóstolos a usam a partir daquele momento.

E porque estás a colocar o comboio nos carris, é de facto necessário discutirmos sobre puxa-sacos e apóstolos da desgraca ontem, hoje e amanhã. Aí me obrigaste a voltar para o meu tempo de formacão e os primeiros anos de trabalho reconhecendo os que seriam hoje chamados de puxa-sacos vs apóstolos da desgraca.