terça-feira, 6 de março de 2007

SOLUÇÕES AFRICANAS PARA PROBLEMAS AFRICANOS



Nada há do melhor, no que o homem pode ter, senão a sua auto-estima. Sem ela nada é possível fazer. Sem ela não se consegue enxergar o real valor que o ser humano tem, nem se pode conhecer o seu lugar no universo. A auto-estima constitui o primeiro passo da realização das pessoas.
Há muito que os africanos perderam esse sentimento. Ha muito que já não acreditam em si mesmo e há muito que tudo é medido, é feito e é esperado tendo como referencia o homem branco ou o povo ocidental.
Os conflitos africanos só são resolvidos com a intervenção de entidades ocidentais. As calamidades africanas são superadas graças ao apoio que os países ocidentais dão. As modificações políticas e económicas do país dependem em grande da opinião dos outros. Andam rumores de que um alto dirigente da administração de estradas foi indicado por exigência de doadores.
E aqui se pergunta, onde está a tal força da sociedade civil? Onde estão os governos tão revolucionários? Onde estão os governos comprometidos com o desenvolvimento? Estas e outras constituem perguntas de reflexão e não carecem de resposta imediata.
Os últimos acontecimentos no Vale de Zambeze e na província de Inhambane transportam um pouco dessas respostas que necessitamos e não podem ser respondidas.
Há que louvar a coragem e a ousadia do Presidente da Republica, Armando Guebuza pela sua determinação em não sair e clamar logo pó socorro internacional enquanto o país tem as mínimas condições para responder o desafio que nos é colocado.
Na verdade, o cerne da questão não reside no facto de haver ou não condições para responder o problema, mas no facto de, numa atitude rara, o Presidente, junto da Nação, aparecer em público e dizer que tem um plano que deve ser implementado para mitigar a situação.
Há que reconhecer que o povo moçambicano não está acostumado a esse tipo de comportamento. Nós estamos acostumados a pedir e não a dar. Gostamos de reclamar e não de fazer. Propusemo-nos a criticar e não a elogiar. Alimentamos a nossa preguiça, fomentamos a intriga e louvamos a loucura.
Estes comportamentos reduzem a auto estima do povo e desmoronam aquele velho sonho de liberdade que África precisa recuperar.
Já é tempo de mudar o discurso segundo o qual os outros são culpados pelo destino de África e de Moçambique. Se houve culpados, isso é no passado e o que interessa agora é o futuro. Se há culpados eles são fracos porque temos os recursos todos para manter a nossa dignidade em firmeza.
Esta louvável atitude do Presidente Guebuza devia se transformar em primeiro lugar num sentimento geral dos trabalhadores em servir e construir o país. Em segundo lugar devia também ser ampliado para outras áreas de intervenção social que não caminham porque se está a espera de uma resposta ao apelo feito a comunidade internacional.
Deve o sentimento ser transformado em geral e ser apropriado por todos os moçambicanos porque temos notado o quanto os agentes tanto do Estado como de privados se oferecem aos desmandos e ao aproveitamento quando se trata de servir o povo. Parece que viver a custa da desgraça e miséria do povo transformou-se num negocio extremamente rentável e pouco trabalhoso. Quantos pedidos são feitos em nome do povo? Quantas doações são recebidas em nome das vitimas, quanto recurso chega aos visados? Estas também são perguntas que não necessitam de resposta, bastam as perguntas.
No nosso entender, um sentimento do Presidente da Republica não produzirá efeitos quando não for sentimento de todos. Uma vontade presidencial não ajudará ao povo se essa não for vontade de toda uma massa de agentes. Há agentes que preferem ignorar sua missão em beneficio do seu próprio estomago. E o que o Presidente Guebuza quis dizer é que devemos com os escassos recursos que temos dar uma resposta condigna ao povo que neste momento está numa situação de extrema vulnerabilidade.
Quanto aos apelos a comunidade internacional é curioso como estamos acostumados a pedir e receber. Para abrir uma latrina, vamos pedir dinheiro ao ocidente, para cobrir uma escola, para ampliar a rede de estradas, para garantir a saúde materno-infantil, para reformar um sector público, temos sempre que pedir dinheiro ao ocidente.
Todos pensam assim, os dirigentes políticos, os directores e ministros, os agentes do Estado da categoria mais baixa, acreditam que sempre e sempre precisamos pedir dinheiro para responder nossas necessidades. E para que serve o Orçamento Geral do Estado? Bom esse serve para servir os interesses individuais das pessoas que por incumbência das suas actividades ou inerência do próprio trabalho tem acesso aos fundos.
A consciência de que o Orçamento Geral do Estado está para servir o povo em todas as suas vertentes ainda não está generalizado e tristemente falando, ainda é um sentimento de uma pequena fracção de pessoas, se calhar só do Presidente.
Falta a auto estima, falta a força interna que valorize a nossa essência, potencia e existência. Falta o orgulho de ser africano e herdeiro de uma historia milenar segundo a qual a espécie humana tem seu berço neste continente.
É a auto estima que pode socorrer África. É a auto estima que pode socorrer Moçambique. E vale pena entendermos muito bem os discursos de dirigentes como Guebuza e outros que procuram trabalhar na consciência do povo porque o nosso problema não é falta de forças, recursos ou meios para o desenvolvimento. O problema de África é a mentalidade e a consciência que até agora está colonizada.
O povo africano ainda se considera colônia de seus antigos opressores, pensam, agem e se programam em função dos antigos colonizadores. Puxam seu saco e não conseguem manter uma postura perante situações em que deviam manter a soberania intacta. O pior de tudo é porque uma certa minoria é que pretende responder pelo restante do povo.
Um dia Moçambique e África verão a sua luz nascer mas a auto estima é a nossa esperança. É importante que saibamos quem somos, de onde viemos e para onde vamos. É importante ter a noção da missão e responsabilidade que temos para com este magnífico continente que é o paraíso e mais do que um berço é a esperança do mundo inteiro.
Temos um legado por valorizar, temos um sonho por realizar, temos uma chama por avivar. Vale a pena lutar por esta África, combatendo a preguiça, a ociosidade, o materialismo e a falta de horizonte. Vale a pena entronizar e se apropriar da convicção e discursos como o do Presidente Guebuza na busca de soluções Africanas para problemas Africanos.
O Estado está para servir o povo e não para servir interesses de certos políticos e governantes ou executivos. O Estado está para servir o povo. Quanto mais dado a prática que ao discurso cedo este país será capaz de colher os frutos da Luta Armada.
Vale a pena lutar por Moçambique e por África!

1 comentário:

Vicente disse...

Fantastico CD! A visao do futuro africano clama por uma consciencia colectiva de africanidade, nao reaccionaria, mas sim proactiva. Conseguiste notar que quando o Pesidente Guebas tomou posse a promoteu combater o deixa-andar, todos os funcionarios e agentes do Estado, incluindo os cinzentinhos, reproduziram tal discurso, ate que ele (o Guebas) se cansou a mandou-os todos trabalhar? Estranhamente, este pensamento do Guebas, descrito no teu texto nao teve, nao esta a ter e nunca tera a repercurssao politico-social que se deseja, exactamente porque implica trabalhar! Os Ministros, governadors, Administradores, etc ja nao repetem este discurso proactivo, pelo contrario, a porta fechada, secretamente, vao solicitando "donativos" ao ocidente e ate fazem questao de nao dar nas vistas durante a sua recepcao, porque o chefe nao gosta! Eles podem nao ter auto-estima, mas o povo, esse tem!