terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ali Baba e os 40 Ladroes Daqui

A história repete-se. E a de Ali Baba e os seus 40 ladrões teve a proeza de repetir-se aqui. É que um conjunto de pessoas que têm consigo o poder de decidir estão a fazer de tudo para transformar os poucos recursos das pessoas daqui como a sua caverna de riqueza.


Desde o permitido até ao não permitido, o braço longo desses que detêm o poder, não pára de saquear o pouco que a gente daqui tem. O pior, é que, até o pouco que essa gente não tem, também lhe é tirado. Como Samora disse, o ambicioso não muda, mas muda de táctica, assim também o Ali Baba e os 40 ladrões daqui, apareceram com novas tácticas e novos poderes. Vejam só:


Desde as taxas de lixo e de rádio difusão que nos são cobradas compulsivamente e as vezes repetidamente, acresce-se a taxa do imposto autárquico, o valor acrescentado e os impostos sobre os rendimentos. Acima disto vêm as taxas das matrículas de viatura, as taxas de inspecção de viaturas, o manifesto e também as de rádio na viatura.


O bilhete de identidade e o passaporte passaram a ter uma taxa também elevadíssima. Só o cartão de eleitor é que não tem essa taxa (obviamente). Para além destes, temos a contribuição industrial e os impostos sobre os rendimentos de trabalho. Temos também a contribuição predial e a contribuição de registo.




A reconstrução nacional sujeita os cidadãos nacionais e estrangeiros a uma taxa. Isso não é o fim, temos ao seu lado o imposto de turismo e o imposto sobre os combustíveis. Da contribuição industrial nem vou falar aqui. Mas importa dizer que existe um imposto para consumos específicos e o famoso imposto complementar.


Ao lado dos direitos aduaneiros que Ali Baba e os seus 40 ladrões não pagam, estão o imposto de selo, a segurança social e o imposto sobre o rendimento de trabalho. Tudo isto e outro tanto que poderia contar aqui faz parte da estratégia de saque orquestrado por esses ladroes.


Os salários é que não sobem, mas o custo de vida não pára de subir. A riqueza da gente daqui não aumenta mas a pobreza não pára de subir. Também não pára de subir a riqueza e a glória de Ali Baba e os seus 40 ladrões.


A máxima das máximas e a mais recente é a tal lei cambial e o seu regulamento. Uma nítida história de roubarem sem vergonha as poupanças da gente daqui. Só Ali Baba e os seus 40 ladrões é que podem ter divisas. Nós outros, só mostrando um visto de viagem. Dizem que a medida visa recuperar o dinheiro que não foi possível obter com o quase fracasso da história das inspecções de viatura.


Se Ali Baba e os seus 40 ladrões roubassem e compensasse as pessoas daqui com serviços públicos de qualidade ou pelo menos aceitáveis, com certeza que não haveria razões para tanto reclamar. É que quase tudo não anda. O serviço público é o último recurso das pessoas daqui. O ensino não tem qualidade, a saúde não responde os desafios, os medicamentos são retirados dos hospitais para serem vendidos nas esquinas. Os anti retrovirais estão a desaparecer.


O lixo não é retirado das ruas, dos passeios e dos caixotes. As estradas estão esburacadas e o atendimento público é péssimo. A polícia vem para extorquir e a madeira daqui é transportada para China. Os mega projectos não pagam impostos e a televisão pública passa o tempo a dar novelas. Ali Baba e os seus 40 ladrões vão inventado manobras abortivas para fingir que estão preocupados e transformam as empresas de prestação de serviços públicos em suas próprias empresas.


Já ninguém sabe a conta das empresas de Ali Baba e os 40 ladrões, mas muitos sabem que uma boa parte do que inventam em nome do Estado vai para essas empresas privadas ou sai através dessas empresas de Ali Baba e os seus 40 ladrões. Os amigos do Ocidente conhecem a história toda, contudo, preferem fazer vista grossa e apoiar os caprichos de Ali Baba e os seus 40 ladrões em troca de um futuro melhor que nunca chega.


O Ali Baba e os seus 40 ladrões entraram para a caverna da riqueza com o trabalho de casa bem estudado. Depois de terem retirado a venda dos olhos da justiça destorceram o prumo da sua balança e compraram a casa que faz as leis, depois de terem instruído muito bem o garante da legalidade. Coitado dele, era tão bom rapaz.

Mas como é que terminou mesmo a história original de Ali Baba e os 40 Ladrões?

5 comentários:

jorge saiete disse...

Companheiro,
O fim da historia do Ali Baba foi tragico e dakelas tragedias k nao podemos deixar k outros Ali Babas experiementem, pelo k devemos continuar a alerta-los do perigo. o k nao sei dizer, 'e se o actual Ali Baba tem timpanos funcionais.

Ops: Tou com dificuldades de telefona-lo. sempre 'e o liga + tarde

Jojo Lemos disse...

Belo e significativo texto caro Duma. Pena os Ali Babás desta terra quando se trata deste tipo de textos colocarem a venda nos olhos...Veja o caso de Nacala não ouvi o antigo bom rapaz pronunciar-se. Que pena desta amada pátria!!

Matusse disse...

A vivencia do presente do Ali Baba & companhia não lhes dá espaço nem tempo suficiente para pensarem num possível fim. Estamos nas mãos dos Gringos. Pena que ninguém lê, caro Duma. A não ser que o artigo procurasse parceiro-empresarial (?) não. Parceiro-do-saque.

Custódio Duma disse...

Saiete...o nosso Ali Baba e os seus 40 ladroes vao sim um dia pagar....
Me ligue no 829408503

Thanks Jojo...o antigo bom rapaz ainda vai a tempo de redimir-se...andou por perto e deu recados aos traficantes da droga e a convertem em predios e condominios de luxo....

Matusse...esses gajos acabam sempre lendo....eles tem gabinetes de estudos para esse fim...

Chacate Joaquim disse...

Duma hehehe... gostei do texto. com tudo, parece que a Contribuição industrial foi revogada com o vigor o IRPS e IRPC. quanto ao IVA penso que há uma injustiça aqui porque o país não paga seguro de desemprego mas obriga o desempregado a pagar Imposto sobre valor acrescentado nas suas básicas transações! pensamos este imposto precisa de uma análise mais aprofundada em termos de benefício para o Estado e para o povo maioritariamente sem renda mas que deve viver.