quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um Mundo sem Violência: Será que é Possível?


Quando a minha cabeça começou a abrir-se ao mundo, adoptei como meus modelos principais, de vida, de conduta e de inspiração, personagens como Marcus Mosiah Garvey e Malcolm X descendentes de escravos, Jesus Cristo e Rei Salomão figuras lendárias do povo judeu, Bob Marley e John Lennon músicos imortais, Elidja Muhamad, Abraão Lincoln, Mahatma Gandhi, Kwame Nkrumah, Leopold Senghor, Imperador Hailé Selassie da Ethiopia, Rainha Dzinga Mbandi de Angola, Martin Luther King, Madela e outros.


Cada uma das personalidades acima mencionadas teve seus bons e maus momentos, são por alguns, consideradas figuras santas e por outros, figuras diabólicas. Umas daquelas pessoas pautaram-se por uma política de violência e outras pautaram-se por uma política de não-violência. Porém, de entre tudo, algo tinham em comum: a inspiração pela paz, por um mundo onde todos fossem iguais e onde ninguém oprimisse o outro.


Alguém pode pensar que não é possível gostar de Malcolm X e de Martin Luther King ao mesmo tempo. Então pode crer que é possível, porque eu me inspiro nos dois, mais no Malcolm X que no Luther, mas sempre nos dois. E outros podem pensar que não é possível admirar Jesus Cristo ao mesmo tempo que Muhamad ou Sellassié. Pode crer que neste caso também é possível. Há sempre espaços em nós para admirarmos, venerarmos e amarmos personalidades diferentes. Depende do ângulo em que interpretamos os fenómenos.


Como podemos perceber no nosso dia-a-dia, a vida em sociedade é feita de adversidades, de contrários, de oposições e incoerências. Tento imaginar uma vida em sociedade onde tudo fosse coerente, concordante, linear e sem oposições. Mataríamos para sempre o fim último da existência humana, perderíamos o rumo da edificação da nossa personalidade e sucumbiríamos no desespero de nunca termos sido nada e nada!


Se então o mundo é e deve necessariamente ser feito de contrários ou opostos, será que podemos pensar numa existência sem violência? É que a tendência e o que estamos acostumados a ver é que na convivência dos contrários, os mais fortes tendem a usar da forca para suplantar os mais fracos. Mesmo que essa forca não seja só física, mas também psicológica, emocional ou de espiritual (para quem acredita).


O que vemos é que, os mais fortes, porque detêm a força física ou qualquer outro poder, mesmo que não estejam certos ou não tenham a opinião mais acertada, procuram e fazem de tudo para impor a sua vontade nos mais fracos. E os mais fracos, mesmo quando certos, são sujeitos a vontade dos fortes sob pena de exclusão, de sanção, de opressão, de sevícias, de dor e amargura.

Há que nem uma tendência de se pensar que a vontade da maioria é a mais acertada. Daí as falsas percepções sobre as pessoas que tenham hábitos ou costumes diferentes dos da maioria. Lembro que já houve tempos em que os canhotos representavam pessoas diminuídas. Em algumas sociedades se considera a homossexualidade um crime e me outras, os albinos são pessoas diferentes ou até objectos.

Em todo o mundo, as diferenças das pessoas podem criar desentendimento e até violência. Na África do Sul, aparentemente país mais desenvolvido de África, os emigrantes vivem num clima constante de tensão e violência porque não são bem-vindos em alguns lugares desse país. E uma das grandes razões é porque os imigrantes africanos trazem hábitos e costumes diferentes, para além de roubar o trabalho aos naturais. Mais uma razão para a violência, do mais forte para o mais fraco.

É incrivel, de acordo com uma representação feita por Zappiro, como os sul-africanos depois de se juntarem aos outros africanos torcendo por Ghana, findo o mundial de futebol se pre-dispuseram a “correr” com todos! Acabou o mundial de futebol, acabou o que nos une.

Não sei o que mais pode unir os humanos senão o facto de serem humanos. Não sei o que nos pode tornar iguais, como humanos, do que a nossa própria condição de seres humanos. Posso até ser redundante na minha fala, mas é que, por incrível que pareça, vejo nos argumentos que nos separam todos os elementos para nos unirem.

É verdade que precisamos todos fazer um profundo exercício reflectivo da nossa existência. Acontece muitas vezes todos passamos a ser vítimas das situações que nos hostilizam. O que discrimina, sofre tanto quanto o que é discriminado. O que não é discriminado e não está a discriminar é tão vítima também quanto os outros dois. A humanidade não é livre enquanto um ou dois seres humanos não são livres.

A visão global da humanidade faz-nos perceber os dramas de quem finge ser mais forte, mais rico, mais inteligente e o melhor dos humanos. Faz-nos perceber os dramas de quem se esforça a ser diferente para esconder sua fraqueza e suas dores. Daí que na matéria de vida em sociedade ser imperioso não se pensar em inimigos. Não há inimigos dos gays, das lésbicas, dos negros, dos gordos, dos baixinhos, dos judeus, dos mulatos, dos pobres, dos ricos, das mulheres, dos do norte, dos do centro ou dos do sul. Não há inimigos, há vítimas.


Somos todos vítimas de um sistema social que não foi capaz de fazer brilhar uma luz ou tornar visível um espelho onde todos nós, humanos nascidos iguais, embora cada um com suas diferenças, podemos nos olhar e descobrirmos como somos iguais e em grande medida uma única pessoa. Sim, uma única pessoa. Acredito que a humanidade inteira é uma única pessoa.


Isto, é um pouco do que tenho vindo a aprender a medida que me vou conhecendo. Não sei se algum dia me conhecerei profundamente, mas a verdade é que não serei capaz de conhecer os outros seres humanos se não me conheço a mim mesmo. O exercício de conhecer-me é já um exercício de conhecer a humanidade, sendo eu parte dela.

Bem haja a todos

9 comentários:

Chacate Samuel disse...

hehehehe, meu caro Duma, se concordamos com a ideia esposta neste artigo entao ha que aceitar conviver com as diferencas mas sem misturas pk a sociedade 'e assim vive de leis ou naturais ou Estaduais, no entanto 'e repelido todo aquele que nao se indentifica com o grupo. ou nao?

Custódio Duma disse...

Amigo Chacate,

Partilho a 100% com o teu comentário!

V.Dias disse...

Visto, lido, passa.

Zicomo

Abdul Karim disse...

Duma,

Um pouco mais de esforco, determinacao, o Viriato nao esta muito convencido das tuas qualidades,

Mostra ele, por favor.

Ele diz tem que "afunilar" mais.

Agentes de Segurança Socioeducativo de Minas Gerais,Brasil disse...

Nós Agentes de Segurança Socioeducativo de Minas Gerais, Brasil, estamos enviando a "Voz do Agente" no endereço www.agentesocioeducativo.blogspot.com que é nossa ferramenta de luta para valorização da categoria e efetivação dos direitos humanos no sistema socioeducativo.
Mandamos um forte abraço.

V.Dias disse...

Hehehehe, esse Karim pa,

Voce é brincalhao pa. Duma nao se vais aborrecer, sabe que este mes é o mes do pardao.

Zicomo

Custódio Duma disse...

Caros,

Nao vou me ofender...nem pensar...todas as propostas sao bem vindas, independentemente das brincadeiras do Karim, sinto que preciso trazer de volta este tema, com mais profundidade!

Bom dia a todos

Custódio Duma disse...

Caros,

Nao vou me ofender...nem pensar...todas as propostas sao bem vindas, independentemente das brincadeiras do Karim, sinto que preciso trazer de volta este tema, com mais profundidade!

Bom dia a todos

Anónimo disse...

Gostei muito do texto, muito inspirador. Parabéns