quinta-feira, 22 de julho de 2010

Como Age o Inimigo

Bom, penso que li muita coisa boa com o título que escolhi para este texto. Lembra-me sempre Samora Machel, avó do meu amigo Milton. Aparentemente é difícil perceber quais são as artimanhas que os inimigos usam para nos derrubar.


Se calhar a maior questão seja a identificação do inimigo. Então o título deste texto deveria ser: quem é o inimigo? Também já li muita coisa boa com este título. Aparentemente é difícil perceber quem são os inimigos.


É que os inimigos não têm cara. Não usam uma matrícula na testa ou título nas costas. Contrariamente às declarações dos amigos, os inimigos nunca se declaram. Nunca aparecem para dizer que são nossos inimigos e que a qualquer momento poderão atacar-nos.


Parece que todos que estão em nosso redor são amigos e pessoas de boa fé. Parece que todos querem o nosso bem. Sejam eles vizinhos, colegas, companheiros ou lá o que forem. Todos mostram o sorriso e todos são anjos. Aparentemente todos são inocentes.


Gosto de pensar assim. Que todos em nosso redor são amigos e não inimigos. O que seria de mim se desconfiasse de todo o mundo que me rodeia. Eu sou alguém que acredita. Sou alguém que gosta de transmitir confiança e sobretudo, sou alguém que inspira amizade e transmite energias positivas. Modéstia a parte.


O mais interessante em tudo isso, é que todos ou quase todos que me rodeiam pensam o mesmo de si. Ou seja, eles também acreditam, transmitem confiança, inspiram amizade e transmitem energias positivas. Tal qual eu.


Se calhar essa seja a primeira táctica do inimigo: transmitir muita confiança, muita energia positiva e muita amizade calorosa. Quem sabe?


Com o parágrafo acima, é visível uma parte da resposta sobre as artimanhas que o inimigo usa para atingir os seus objectivos. Mas também, é respondida no mesmo parágrafo a questão sobre quem é o inimigo. E é simples de dizer: muitos dos nossos amigos são os nossos inimigos.


A inimizade é o inverso da amizade. A amizade é a expressão mais sublime da existência humana em sociedade. A amizade representa a imagem mais perfeita dos sentimentos nobres dos humanos. É através dela que os seres humanos não se sentem sós no planeta terra. É pela amizade que a vida tem um sentido próprio e é por ela que os homens preservam os outros valores sentimentais e emocionais.


Só a amizade pode fazer milagres. Só a amizade pode abrir portas impossíveis, pode retirar almas na fossa. Só a amizade pode renascer esperanças e até ressuscitar os mortos. A amizade faz como que os humanos sobrevivam e vivam eternamente. A amizade é o amor!


A amizade exige determinadas características, sendo uma delas a lealdade e outras a fidelidade, a verdade, o conhecimento mútuo, o cuidado, o sacrifício, a cooperação e a partilha. A partilha de responsabilidades, de momentos bons e maus, de situações, de alegrias e tristezas, etc!


Mas ok, este texto é sobre os inimigos e não sobre os amigos. Contudo, era necessário deixar uma luz sobre os amigos, dado que, os inimigos são a outra face da moeda que também ostenta os amigos.


Voltemos a questão: como age o inimigo? O inimigo age como amigo. Essa deve ser a resposta mais resumida que encontrei. Como assim? Porque o inimigo faz-nos crer que é amigo e depois começa a atacar-nos e a consumi-nos lentamente. As vezes, ele se pré dispõe a procurar o inimigo que ele sabe ser ele mesmo e leva-nos a dar uma volta interminável em torno da nossa própria cauda.


Depois, ele estabelece laços com outros inimigos nossos, na sequência, amigos seus e, detalha a nossa vida para eles, enumera nossas forcas e nossas fraquezas, dá dicas de ataques e paga a quem for capaz de realizar maiores proezas contra nós.


O inimigo finge sentir a mesma dor que nós, na verdade ele se alegra com os ataques que sofremos no dia-a-dia. Ele se alegra com a nossa desgraça e deseja que mais miséria nos aflija. O inimigo consegue verter lágrimas de crocodilo e tem saco de engolir todo excremento possível. O inimigo come aqui e come ali. Dança aqui e Dança ali. O inimigo é um ser desocupado consigo mesmo e se dedica a aparentar o que ele não é e nunca foi.


Por isso mesmo, há quem uma vez disse: mais do que confiar, feliz é o ser humano que desconfia. Mesmo assim, eu continuo a pensar que a melhor forma de matrecar um inimigo, é, depois de descobri-lo, continuar a confia-lo.


Embora o inimigo seja um cara que nos queira fazer mal, ele é também um ser humano. Amolece quando sente o calor humano e a energia da vida.


Penso que é importante deixar que os nossos inimigos caiam nas covas que eles mesmo fizeram. Como diz o cantor: que eles sejam sepultados na cova que eles mesmo abriram.
Sou muito feliz com os amigos que tenho!

9 comentários:

vania ngoque disse...

Amizade...
Isto de amizade e muito complexo, quando pensas que tens um amigo e descobres que nao e um amigo mas sim um conhecido que sabe sobre ti um pouco mais e extremamente desconfortavel.

Saber como age o inimigo e facil, presta atencao naqueles amigos acima do normal, naqueles amigos ecovinhas, naqueles amigos policias que querem saber sempre( onde,quem,quando,como quem) naqueles amigos que fingem ser os melhores amigos...

prefiro estar com um pe a frente e outro atras com os meus amigos, nao dou change de entrarem nos meus bolsos...e se descubro a falsa amizade, oba esta tudo estragado, nao finjo corto logo logo...

Custódio Duma disse...

Gostei dessa de nao deixar entrarem nos teus bolsos...é uma forma economica de analisar o assunto...eu nao tinha pensado nisso!

De todas as maneiras, concordo contigo quando diz que o assunto é bem bicudo.

Bom final de semana Amizade!

V. Dias disse...

Gostei deste texto.

O Duma quando aparece é mesmo para matar a sede. É um bom antidoto para aqueles que sentem sede de ler seus textos como eu, aliás.

O problema é que, sendo o Duma "ATM" do seu próprio blogue, ficar ausente por muito tempo, deixar de carregar a máquina por longos tempos, pode deixar o pessoal sem mola, ou seja, sem rumo. Escreva sempre, a crise de leitores não anda aqui. Não sei se me fiz entender.

Sobre o texto, Miguel Sousa Tavares disse uma vez o seguinte: "Há amizades que matam, quando se misturam com outras que não são misturáveis."

Zicomo

Custódio Duma disse...

Mano Dias,

Muito obrigado pela força e pelos incentivo. Andei fora sim…sem capacidade e disponibilidade para produzir. Mas acho que agora estou mais uma vez preparado para interagir com os meus amigo e aqueles que não o são aqui neste fórum!

Percebo o que diz e aceito o puxão de orelhas. Procurarei ser mais presente!

E continue assim meu mano, aqui connosco: na linha da frente!

Zicomo Kwambiri

Gil Cambule disse...

Duma,
tu es uma dessas pessoas que deviam ser obrigadas a escrever... sim... acorrentados a ferro para pegar na pena e molhar o papel!
bem vindo de volta.
PS (gostaste da guitarrada??)

Custódio Duma disse...

Cambule,

Só posso realmente compreender a seriedade desta posicao. Cá estou, para levar a cabo esta missao em que todos nós somos participantes. Aceito essas correntes de ferro na esperanca de que elas venham a libertar nossas mentes!

Meu...afinal descobri o vosso talento. Valeu para ver o quao múltiplas sao os vossos dons. Na verdade nunca tinha visto o Bitone dancar daquele jeito....nem ele...nem os outros colegas!

Milton Machel disse...

Ma Man, já que fui referido singularmente por ti (dissimuladamente ou metodicamente usaste o nome do meu avó Samora "para me atingir") neste teu ensaio sobre o inimigo e sobre a amizade/inimizade, comeco a desconfiar seriamente que estas a procura de aconselhamento gratuito de mil e um blogonautas se realmente eu sou o "Cavalo de Troia" da Daniel Napatima na tua vida, Ma Man! Ma Man, por que nao es directo, afinal, em me perguntar, mas diz lá, brada, voce eh meu amigo ou inimigo.
Hahaha, Duma, peguei-te bem, pá, usa-me e a outros amigos teus dos ultimos anos como "rato da Guiné" para perceberes como realmente age o inimigo!!! Ai nao precisas de vir pedir a minha biblioteca personale alguns dos textos que como heranca vovó Samora deixou pra mim...Hahaha, hoje gramaria de ser o nosso amigo Inácio Chire, pra roubar as gargalhadas dele como resposta/reaccao a este teu maravilhoso post...hahahhaha, Duma, hahahaha, cá estou eu a "chirizar-me"

Custódio Duma disse...

Oh Milton, desde quando meu amigo....
Primeiro levas tempo a encontrar o texto e depois vens com storias de estares a ser atacado. Como diz o meu amigo Marley: a quem servir o chapeu...deixe que o use! Nao espero que te sirva este chapeu...é grande demais!
A verdade é seguinte: desde que o SISE incrementou os honorarios, já nao sabemos mais quem é quem...

Milton Machel disse...

Oh, brada, Duma, entao agora te socorres no Master, Bob, para "correres como um fugitivo"...só porque nao me queres dar o chapéu de Frank Lucas que me serve bem, bem-bem? Isso de eu levar tempo a encontrar o texto, já te disse, eu tenho o meu tempo para fazer as coisas...eu faco o meu tempo! Prontos, admiro o teu humanismo de adorar e confiar no inimigo depois de o descobrires. Fico é muito assustado que saibas, de verdade, que o SISE incrementou os honorários (qual é o teto salarial, mesmo, pagam em dólares?, sabes que eu sou dos que "in God we trust"...amante das verdinhas!)