quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Quem Manda no Chefe?


Uma Pergunta aos Nossos Políticos

Isto não tem nada a ver com as passadas publicidades de algumas empresas prestadoras de serviços de telefonia móvel. Nem nada a ver com as músicas dos nossos conceituados cantores e entreteiners. Tem sim a ver com lideranças e com princípios de exercício do poder.
Procuro sempre e a todo custo ser o mais breve e o mais claro possível quando abordo as questões, pois isso ajuda a todas as camadas intelectuais a perceberem o que pretendo dizer e quais são os problemas que levanto.
Quando pergunto: “quem manda no chefe?” na verdade quero dizer: “entre a opinião do chefe e a do seu assessor qual deve subsistir?”, ou por outra: “depois do chefe ser aconselhado pelos seus conselheiros e assessores, onde é que ele busca a decisão final da matéria?”.
Levanto estas questões porque na actualidade, as falhas tanto do Presidente da República, dos seus ministros e de alguns directores, tanto nacionais como provinciais são atribuídas aos seus conselheiros e aos seus assessores. Oiço tanto em conversa, como pela mídia que o tal foi mal aconselhado.
Não sou político embora ocupe um cargo de direcção no meu local de trabalho. De entre as funções que desempenho uma delas é aconselhar a minha chefe. É claro que em muitas situações eu também sou aconselhado. Não consigo perceber até que ponto eu serei responsabilizado pelos conselhos que dou ou recebo.
Quanto aos chefes é necessário que fique bem claro a ideia transmitida por Maquiavel. Segundo este ícone da ciência política, o líder, deve ser, antes de tudo, muito inteligente. O chefe tem de ser alguém com visão, que perceba dos assuntos e tenha capacidade de analisar com cuidado, detalhe e conhecimento todos os fenómenos em sua volta. Ainda acrescenta dizendo que, só um líder dessa grandeza é capaz de escolher bons conselheiros.
Depois de provadas suas capacidades intelectuais, o líder precisa deixar muito bem claro nos seus conselheiros qual o papel que vão desempenhar. Os conselheiros e assessores do chefe precisam saber, nem que seja por imposição do próprio líder que, a sua tarefa é falar a verdade e só a verdade. Os seus conselhos devem ser o mais realísticos possível, o mais verdadeiros possível e o mais óptimos possível.
A ideia acima, quer dizer que o chefe deve combater, a todo o custo, o puxa saquísco, ou seja, o chefe não deve aceitar nunca, por qualquer razão que seja, que os seus conselheiros e assessores tenham medo e receio de falar a verdade, de criticar o líder e de mostrar que o chefe está errado.
O líder deve ser temido pelos seus companheiros, mas ao mesmo tempo ele deve ser respeitado e amado pelos seus assessores e conselheiros. Assim, mesmo sabendo que se podem dar mal com o tipo de aconselhamento que dão ao chefe, por qualquer matéria que seja, os assessores precisam estar seguros de que o chefe gosta e exige que seja dado o melhor conselho possível e o mais verdadeiro possível. O líder não deve nunca e em nenhuma situação, incentivar que todos em seu redor concordem consigo mesmo estando em manifesto erro ou engano.
Mas porque o chefe é inteligente, este não deve só cingir-se nos conselhos que recebeu para tomar a decisão. A decisão do chefe e do líder deve ser sua decisão, embora ouvidos os outros. Os conselheiros devem saber disso, que o líder vai tomar a decisão que lhe convier, e que não vai necessariamente seguir o seu conselho embora seja o mais verdadeiro possível.
Porque o chefe é consequente e não tem medo de errar ele estuda as situações, estuda os conselhos e encontra a melhor solução. O chefe não precisa puxar saco de ninguém nem precisa agradar ninguém. Isto é um pouco das teorias de homens como Maquiavel. Mas é também uma parte das premissas para responder a pergunta que é o título desta provocação.
Alguns relatos da historia política, mostram que mesmo recebendo os conselhos do mais alto nível, na verdade o chefe toma as decisões dadas pela sua esposa. Esta deve ser uma área que os lideres não gostam muito de mexer porque o machismo assim não permite, mas o mundo está repleto de exemplos que podem ser muito bem citados. Alias, a mulher do chefe não deve ser excluída do rol dos seus conselheiros.
Mas, quando a opinião publica, aparece e declara sem rodeios que os nossos chefes estão a ser mal aconselhados que ilações podemos tirar disso? Se a afirmação for verdadeira, então concluiremos que os nossos chefes não tem a capacidade de dirigir. Se a afirmação for falsa, então concluiremos que os nossos chefes não tem a capacidade de tomar as decisões correctas. Em ambos os casos tais chefes estão reprovados.
É que o chefe não deve ser banalizado nem desgastado pela opinião publica, para tal ele não precisa ser precipitado. O chefe deve, mesmo sem poder, manter a aparência de que é inteligente, ponderado e que ele mesmo toma as decisões.
Tal aparência não deve ser imposta pela força, ou seja, não precisa matar, torturar, gritar, ameaçar ou encarcerar as pessoas, mas através de acções concretas mostrar que tem os seus pés no chão e que cada passo que dá é firme e que vai produzir frutos. O chefe não deve estar sempre a trocar de posições, a pedir desculpas por erros mesquinhos ou a ficar sem respostas para situações obvias. O chefe deve ser confiante e transmitir confiança.
O meu amigo que é chefe sempre diz, quero que me ofereçam o melhor conselho que podem, mesmo sabendo que já tomei a minha decisão.
Mas o chefe tem o povo, tem os cidadãos, tem pessoas que esperam por si, e não adianta tomar suas próprias decisões, mesmo que estas sejam o mais convictas possível se estas não respondem aos anseios daqueles que por si esperam. É claro que o chefe não precisa obedecer aos seus conselheiros, mas deve responder as necessitas daqueles que para si olham como líder.
Um líder que por menos inteligente seja, precisa só de estar atento a voz uniforme daqueles que olham para si. Ali ele encontrará a melhor decisão a tomar. Mas mesmo assim, o chefe precisa estar preparado para tudo que vier pois não será capaz de agradar a gregos e a troianos.
Penso que esta era mais uma pequena provocação e aguardo respostas dos próprios políticos que sabem onde buscam as decisões que tomam. Alias, mais do que isso gostaria também de saber porque é que os chefes gostam de se fazerem rodear de puxa sacos?

2 comentários:

Direitos Humanos disse...

Ai Custodio,

Gostei bastante dessa reflexao... com a qual me identefico plenamente. E se digo isso nao e' por puxasaquismo... mas porque tive a oportunidade de presenciar esse tipo de comportamentos dos acessores do nosso PR quando ele esteve de visita ao Brasil.
Mas devo acrescentar que por um lado os medias tem o mesmo comportamento, atraves de cortes que fazem nas edicoes das suas noticias... para ficarem bem vistos pelos chefes...
Mas quem manda nos chefes afinal?
Acredito que nem sao os pobres acessores, os verdadeiros bosses estao muito acima desses pobres mortais a que te referes acessores. E e' a esses que temos que atacar...
Abracos

Reflectindo disse...

Caro Custódio

Foi precisamente ontem que tive que dar um comentário igual no blogue do Prof Carlos Serra. O assunto é em relacão à criacão de mais dois ministérios. De facto, acho que não deviamos responsabilizar a assessores nos actos dos chefes. São os chefes que decidem e é só isso. E mesmo quando os conselheiros mentem para os chefes (aconselhados) é por consentimento deles. Um assessor há-de mentir para o chefe, só quando souber que só assim é que ele fica contente.
É precisamente, como o caro Custódio descreve, ao chefe não lhe é atribuído seus conselheiros, mas ele escolhe-os, e, muitos deles são informais como é o caso das esposas e amigos, significando que a base é confianca.

Abraco