quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Calor Insuportavel e Ociosidade

Maputo e a região sul do país, é vítima de uma persistente massa de ar quente de quadrante norte, que continuará forte até pelo menos Sábado dia 10 de Janeiro.
Tal calor quente e húmido, já está a causar desconforto e muito problemas nos cidadadãos mais sensíveis, entretanto, a marginal e a praia do Costa do Sol, regista todos os dias uma enchente de gente e automoveis, inclusive nas horas normais de expediente.
Fico sem saber se essa gente, que enche a praia e a marginal, com viaturas de luxo e a beber muito alcool é desempregada ou não, já que estão a curtir a "briza" do mar na hora de trabalho!!!
É a vida...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Arouca Denuncia a Ditadura em 1979

Vai a enterrar hoje, na sua terra natal, em Inhambane, o Dr Domingos Arouca, nacionalista e primeiro advogado negro de Moçambique.

Deixo a seguir uma comunicação por si feita em 1979, em Oslo, Noruega, segundo Canal de Moçambique, edição de hoje, de onde retirei o texto: 

Na universidade de Oslo, em 1979

Arouca denuncia a ditadura da Frelimo

Maputo (Canal de Moçambique) - “Venho proferir algumas palavras, forçosamente breves para o muito que haveria a dizer. Mas e necessário que sejam ditas, que os presentes conheçam, ainda que em linhas muito gerais, a verdade do que se passa hoje na minha terra, pela qual me bati e continuo a bater-me. Passei oito longos e amargurados anos de prisão durante o regime colonial português. Como eu, outros sofreram, nas matas, os rigores e perigos de uma luta de mais de dez anos. Muitos e muitos pagaram com a vida o desejo da liberdade e da honra de terem uma nacionalidade legítima, sua, derivada da Pátria a que pertenciam, onde nasceram. 

Chegados ao termo da luta, quando a Revolução Portuguesa de 25 de Abril de 1974 permitiu que, finalmente, os povos das suas possessões africanas pudessem pacificamente ascender a independência, as forças comunistas de Portugal e de Moçambique, infiltradas entre as tropas portuguesas e na Frelimo, em perfeita sincronia que só um rigoroso e experiente internacionalismo sabem manejar, arrebataram as lideranças de cada um daqueles Movimentos, convertendo-os em instrumentos da hegemonia consumista no mundo. 

E o resultado viu-se: em Moçambique os dirigentes da Frelimo de formação nacionalista e democrática foram afastados e tiveram de ir sentir os rigores do exílio, como é o meu caso; outros foram internados em campos de concentração, onde são submetidos a torturas e humilhações indescritíveis e outros ainda, apesar de tudo mais desventurados, pagaram com a vida a ousadia de quererem viver em liberdade na sua própria terra. 


Quando lutávamos na mata, diziam-nos que era pela liberdade da nossa Nação. Agora que esta conhece a maior opressão de sempre, depois de nos terem negado o prometido referendo democrático para dispormos livremente de nós mesmos, vem-nos falar da Nova Ordem Internacional, que ninguém percebe, que ninguém sabe exactamente o que seja. 

E isto confunde-nos, a nós africanos, que acreditamos na democracia e por ela nos batermos, sofremos e muitos de nós morreram. E essa confusão no nosso espírito cada dia que passa toma foros de maior grandeza, atingindo uma profundidade quase monstruosa que nos leva a não acreditar em mais nada, pois a realidade das coisas não corresponde à temática que tem informado a nossa luta e que o Ocidente sempre nos disse ser correcta e a nossa razão assim o entendeu também. 

Que se pretende, afinal? Lançar o Homem na angústia que o arrastará ao «cataclismo cósmico universal do pensamento» de que falava Max Scheler? Ou conquistar o mundo pela subjugação e neutralizarão total do Homem? 
Não sabemos. 


O que podemos, por ora, é fornecer lídimo testemunho da amargura que o povo moçambicano sofre em mal contida revolta contra a opressão de que está a ser vítima, opressão essa que lhe foi imposta e é mantida pela força das armas soviéticas, não sabemos se com ou sem a cumplicidade dos Estados Unidos da América. 


Do que não temos dúvida é de que o é com o beneplácito e ajuda material da África do SUL. É este país que ajuda economicamente Moçambique em benefício directo da classe dirigente, enquanto os países do Pacto de Varsóvia o mantém no aspecto militar. Um dá-lhe o pão, o outro as armas. 


Entretanto, o povo oprimido e faminto, reage como pode. 0 poderio militar estatal é enorme para as dimensões africanas. E a espera, a paciência, a resignação é uma táctica, até que alguém o ajude a quebrar as grilhetas e a lançar para o céu, bem alto, o grito da vingança – do ajuste de contas. 

O Povo de Moçambique em guerra contra a Frelimo 

O povo de Moçambique já entrou em guerra contra a Frelimo. A cisão é evidente. Quando, no esforço de guerra, o III Reich decretou a pena de morte por crimes de traição, esse regime condenou-se imediatamente ao colapso. Um governo não pode abrir guerra ao povo que governa; tem, isso sim, de ser emanação dele e funcionarem como uma só peça, uma só força. 


Pois o governo comunista de Samora Machel, cindindo-se cada vez mais do povo de Moçambique quer pela injustiça social, pela insegurança das pessoas, pelas prisões arbitrárias, pela ostentação insultuosa dos dirigentes em contraste com a miséria repugnante dos humildes, a prepotência, o abuso, a imoralidade, a corrupção, o suborno, as perseguições por motivos religiosos, étnicos e rácicos, a incompetência, o regresso a imposições de quadros culturais e ideológicos absolutamente fora da sensibilidade popular, o Governo de Samora Machel, dizíamos, acaba de declarar guerra total ao povo, decretando a pena de morte. A pena de morte, ou mesmo a tortura, indispensáveis na época colonial, são agora moeda de troca a aplicar ao massacrado povo moçambicano. 


Já tiveram lugar execuções públicas, por fuzilamento, num campo de futebol de Quelimane, com convite expresso feito ao bispo católico local para assistir. Agora, por lei, a pena de morte aplica-se a casos de alta traição, atentado contra o Chefe de Estado e dirigentes do Partido ou do Estado, rebelião armada, motins, levantamento ou uso da força, terrorismo, espionagem e pirataria, mercenarismo, rapto, agitação, boato, tribalismo, racismo e divisionismo. E esta lei aplica-se tanto aos cidadãos moçambicanos 
como estrangeiros... 


Só em estado de beligerância tais medidas são tomadas. O governo comunista do Maputo está em guerra. Em guerra contra o seu próprio povo. 

É isto que o Ocidente tem de saber. É isto que os intelectuais europeus, o Conselho Mundial das Igrejas, os dirigentes dos países Livres da Europa, o povo de cada uma das nações europeias tem de saber. E tem de saber, para que nos diga a nós, africanos democratas, se foi para isto que deu o seu dinheiro, a sua ajuda, o seu conselho, o seu apoio moral e material aos que, de armas na mão, combateram durante dez anos nos matagais de África, perecendo na luta. 

Membro da Frelimo da primeira hora, honrado pela Reitoria da Universidade de Oslo a trazer aqui a palavra da África oprimida pela influência belicista de Moscovo, não posso deixar de proclamar bem alto, a revolta que nos vai na alma, a confusão que nos absorve, o espírito simples, de sabermos por que lutamos, para que lutamos: por nós ou por Moscovo? 

Esta pergunta toma agora mais acuidade ao vermos inúmeras portas a fecharem-se-nos, escudos invisíveis que se nos interpõem em todas as diligências que desenvolvemos para dar a verdadeira paz e independência à nossa terra. 

Nós, os democratas africanos, aqui deixamos o nosso apelo: ajudai-nos. A resistência, a resignação e a capacidade de sofrimento chegou ao fim. 
Ajudai-nos!”.

(Domingos Arouca) 

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Jestina Mukoko: Estamos Contigo!!!

Alguém Precisa Levantar se Pelo Zimbabwe!!!!


Clique na imagem para melhor ver a notícia do Boletim The Daily Catalyst

NB. E de acordo com as notícias de hoje, o Presidente Mugabe está de ferias, voltará e em Fevereiro vai anunciar a lista do Novo Governo de Unidade Nacional...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Ano de 2009 e o Exercício de Uma Cidadania Sem Medo

Tenho para mim que o presente ano de 2009 será de grandes realizações. Para começar, é neste ano que teremos pela primeira vez as eleições provinciais, que embora menos esclarecidas ao povo, parecem significar um avanço no fortalecimento da democracia moçambicana. Mais do que isso esperamos a realização das quartas eleições presidenciais.

Ao falar de eleições, temos é que parabenizar Moçambique por cumprir quase à risca o calendário eleitoral, facto que as democracias africanas pouco conseguem fazer. Com uma idade inferior a 20 anos e, independentemente de todos os vícios apontados, a democracia moçambicana conseguiu realizar à tempo, seis eleições multipartidárias.

Quando a democracia formal vai crescendo na idade, o seu exercício efectivo não cresce. Temos uma democracia bastante enfraquecida pela ausência de forças políticas capazes de competir com a Frelimo que é o partido mais velho na senda política moçambicana.

Assiste-se uma democracia enfraquecida sob todos os sentidos, se calhar seja inclusive a responsabilidade do tal maior partido que ao querer manter a sua hegemonia vai apagando os mais pequenos.

Tomo como exemplo alguns dos chamados intelectuais, académicos ou a massa pensante do país. Estes temem contrapor a Frelimo, temem criticar o poder e acima de tudo temem assumir qualquer outra cor partidária neste país que não seja a da Frelimo. Lembro que alguns dissidentes da Frelimo, que há alguns anos filiaram-se na Renamo, foram severamente açoitados na função pública onde trabalhavam e duramente condenados pela opinião.

Por outro lado, o partido Renamo, que se visualizava força capaz de fazer frente a Frelimo no dialogo político, acabou mostrando a sua falência irreversível. Esperar uma possível ressurreição da Renamo é não querer ser realista. O que pode eventualmente acontecer é uma renovação interna através de fundação de um outro partido constituído pelos seus dissidentes.

A ser assim, com o surgimento de uma força política vinda da Renamo desfalecida, constituída somente pelos anteriores membros, o cenário não pode ser diferente porque seria uma mudança de nome e de líder e não de postura. O que a Renamo precisa e esperamos em 2009 é que não tenha medo de renovar sua própria mentalidade e convicções.

O mesmo se pode dizer da Frelimo, um partido que se pretenda maior e democrático deve ser capaz de conviver pacificamente com a oposição. Aceitar que o facto de um cidadão ser membro de um partido da oposição não significa que é inimigo do poder ou do sistema. Ser diferente é um direito fundamental que o cidadão tem. Espero que em 2009 a Frelimo não tema conviver com os outros, para que ela mesma não seja vítima da sua grandeza.

Espero um 2009 onde os académicos não tenham medo da verdade, não tenham medo de criticar as injustiças, não tenham medo de criticar e condenar a hipocrisia, a mediocridade e a falta de competência. Mais do que servir ao estômago e à aparência é desafio de todos nós construir um Moçambique cada vez mais responsável e inclusivo.

Espero uma mídia menos tímida e sobretudo menos manipulada. A mídia pode ser manipulada tanto pela opinião pública, que ela muito bem sabe influenciar, pode ser manipulada pelos empresários, pelo poder ou pelo contra poder e pelos interesses do mercado, perdendo assim a verticalidade, a isenção, a imparcialidade e a objectividade. Uma mídia manipulada constitui veneno à democracia.

Espero em 2009 uma sociedade civil menos partidarizada, menos assustada, mais profissionalizada e capaz de inovar e de levar a cabo a sua missão de representação dos sem voz e sem vez. Uma sociedade civil diluída nos interesses políticos e mercantilistas perde de imediato o seu norte e passa a representar a classe dominante, ou seja, passa a servir o inverso das suas convicções fundadoras.

A vida de puxa sacos não nos leva a lado nenhum, alias, puxar saco ou bajular é antes de mais, ser falso consigo mesmo e com quem é bajulado. Um puxa saco esconde nos seus actos a sua cobardia, a sua ambição e os seus medos. Ao invés de contribuir para o bem da nação ele contribui para a sua própria manutenção em detrimento da maioria. Espero um 2009 com menos puxa sacos e menos bajuladores.

Com a morte e o sepultamento dos nossos medos poderemos muito bem e com facilidade, assumir fervorosamente o nosso papel social e político. Poderemos ter uma Assembleia da República que acima dos interesses da bancada decide a favor do povo e poderemos ter um governo com políticas públicas inclusivas e participativas. Um bom desempenho dos órgãos do Estado depende muito do quanto nós podemos ser verdadeiros connosco mesmos enquanto actores políticos e sociais.

Moçambique precisa de um movimento social mais actuante e mais militante. Considero ser muito positivo o papel de reconstrução nacional levada a cabo por uma boa parte da sociedade civil moçambicana, contudo, para alem de essa ser por excelência, uma missão do governo, o país clama por um movimento que fiscalize o poder e contribui na feitura e implementação das políticas públicas.

Espero assim um 2009 com espaço para todos nós, onde todos nós temos voz e onde podemos nos sentir representados. Não queiramos em pleno século XXI construir regimes que representam interesses de minorias, deixando de fora a maior parte da população.

Espero um 2009 onde não teremos medo de condenar e criticar a exclusão. Nem a exclusão social nem a exclusão política, mas onde todos nós podemos participar com as nossas experiências, os nossos conhecimentos e a nossa visão na construção de um Moçambique para todos. Espero um 2009 onde poderemos ter coragem de condenar situações como as provocadas pelo regime do Zimbabwe.

Espero um 2009 menos repressivo, onde as armas de fogo são usadas no último dos últimos casos. Espero um 2009 de unidade e de diversidade nacional. Espero um 2009 com assentos para homens e mulheres, jovens, crianças e idosos. Um 2009 com assentos para gays e lésbicas, com assentos para membros da oposição, com assentos para portadores de deficiência, com assentos para artistas e desportistas.

Espero um 2009 em que finalmente teremos uma Comissão Nacional para os Direitos Humanos e um Provedor de Justiça.

Espero um 2009 essencialmente sem medo!!

Morreu Domingos Arouca: Paz à Sua Alma!



É nosso dever render homenagem a este que sendo homem comum soube valorizar os seus ideais de liberdade, paz e justiça, tendo com pujança influenciado veementemente a jovens como nós tanto no concernente ao exercício da actividade forense como política.
Ficará escrito nas páginas mais nobres de gente fiel tudo o que Domingos Arouca representa. E como diz Swami Vivekannanda: "Os mais superiores de todos os homens não procuram conquistar nome ou fama devido ao seu saber. Deixam as suas ideias ai mundo; não reivindicam nada para si próprios nem instituem quaisquer escolas ou sistemas em seu nome. Toda a sua natureza foge de semelhante coisa. São Sattvikas puros, que nunca podem provocar nenhuma agitação, mas somente dissolverem-se em amor..." Esse é o Domingos Arouca!!


Paz à Sua Alma

O Estado e os Puxa Sacos...

Dito por John Stuart Mill:


"Um Estado que tolhe o crescimento dos seus homens para que eles possam ser instrumentos mais dóceis nas suas mãos mesmo com fins benéficos, descobrirá que com homens pequenos nada de grande se pode realmente realizar".